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Brasília

Expectativa de vida do brasileiro ganha bônus de 26 anos para se viver

Arquivo Geral

23/03/2013 9h10

Cleide comemora o fato de ter mais tempo para cuidar de si mesma 

A expectativa de vida do brasileiro só cresce ao longo das décadas. É como se a população tivesse ganhado um “bônus” de 26 anos de vida nas últimas cinco décadas. Mas será que agora, com mais tempo, as pessoas sabem aproveitar a vida melhor? O Jornal de Brasília foi às ruas saber como os brasilienses imaginam o seu futuro, e como se preparam para isso. Especialistas reforçam  que cuidar da saúde é fundamental.

 

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Em 2012, a expectativa de vida ao nascer foi de 74,08 anos. Muito antes disso, em 1960, o indicador registrado ficou em apenas 48 anos, o que significa que se vive no Brasil, em média, 26 anos a mais do que 53 anos atrás. Assim, o brasileiro possui mais tempo para  curtir o que a vida pode oferecer.

  

 

De acordo com o coordenador de População e Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Albuquerque, diversos fatores melhoraram a expectativa de vida do brasileiro. “A mortalidade começou a diminuir no pós-guerra, quando o Brasil pôde fazer intercâmbio de experiências sobre programas de saneamento, vacinação, distribuição de medicamentos, entre outros. Além disso, houve diminuição na mortalidade infantil e juvenil, que também influencia na idade que as pessoas podem alcançar”, explica.

 

O clínico geral David Pedrosa afirma que houve progressos cruciais para que as pessoas vivessem mais. “Hoje em dia, se tem mais acesso à informação e medicação, houve avanço na medicina e na prevenção de doenças graves”.
Para o médico, com o avançar da idade, é necessário tomar cuidados mais frequentes do que quando se é mais jovem. As idas ao hospital devem aumentar, para que se controlem possíveis problemas de saúde. “O idoso deve ter cuidados com vacinação, contra a gripe principalmente, fazer consultas periódicas para aferir taxa de glicose e colesterol , além de prevenir as quedas, já que se tem menor índice de massa óssea. Acima de tudo, é preciso evitar excessos”.

 

Dica de quem chegou lá

 

A professora Célia Rios rejeita o rótulo de aposentada, já que ainda se considera uma pessoa muito ativa, mesmo aos 72 anos. A frequentadora assídua do parque Olhos D’água, na Asa Norte, dá a receita para quem quer aproveitar a melhor idade: “É necessário ter um programa de alimentação, exercício físico e uma vida espiritual ativa”, recomenda. 

 

Para ela, o idoso hoje em dia possui mais possibilidade de cuidar de si mesmo. “Minha avó e minha mãe não tiveram a qualidade de vida que eu tenho. Antigamente, se tinha uma vida voltada só para a família, e agora as pessoas de mais idade sabem se amar mais”, diz.

 

Célia também recomenda a filantropia a quem já possui idade avançada. Além de gratificante, o trabalho ensina muito a quem se dedica a esse tipo de atividade. “Eu coordeno um grupo de apoio a dependentes químicos e às famílias. Não consigo viver sem esse trabalho. A gente vai pra lá ajudar, mas acaba recebendo muito mais do que ensina”, conta.

 

Célia deixa a dica: “É possível envelhecer sem ficar velho. Não penso em idade, penso em superar meus limites”.

 

Mais tempo


A independência foi a maior conquista que a ex-servidora pública Cleide Holanda, 72 anos, conseguiu após parar de trabalhar. Depois de aposentada, ela acredita que tem mais tempo para ela mesma. “Quando você se aposenta, se sente um pouco fora do sistema. Sai de um grupo, o de trabalho, e entra em outro. Mas ganhei tempo livre para cuidar de mim”, comemorou.

Cleide também acha que, com a idade, também vêm as virtudes. “A terceira idade é a do aproveitamento”.  

 

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