
Em reunião fechada, o governador Agnelo Queiroz se encontrou com representantes de associações da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros para apresentar proposta de acordo e, assim, colocar fim ao movimento dos militares, que começou chamado de Operação Tartaruga. Já de madrugada, Agnelo anunciou que a intenção é alcançar a isonomia salarial das duas categorias com a Polícia Civil. Isso representa um aumento real de 22%, a ser pago em três anos.
Como já era esperado, o objetivo do governo é aumentar as gratificações, uma vez que o reajuste salarial e a reestruturação das carreiras dependem do Congresso e do Governo Federal. Dessa forma, serão reajustados os auxílios moradia e alimentação.
Conforme a proposta, o reajuste começaria a ser pago em julho. Até 2016, um soldado, que hoje ganha R$ 5 mil, passaria a receber R$ 7,3 mil. E o salário de um coronel seria equiparado ao vencimento de um delegado: R$ 12 mil. Em julho deste ano, o auxílio alimentação, por exemplo, aumentaria de R$ 650 para R$ 850.
Por outro lado, ainda não há proposta para a reestruturação de carreira, sob o argumento de que se trata de ano eleitoral. “A proposta foi um grande esforço, com recursos do GDF. Essa ação vai resgatar a Polícia Militar e corrigir distorções”, declarou Agnelo Queiroz.
10h de reunião
O encontro começou por volta das 15h, com a presença dos comandantes das corporações. Às 18h, representantes das associações se juntaram ao grupo para ouvir a proposta que busca atender aos anseios dos servidores.
Categoria ainda vai analisar proposta
Apesar de o governador Agnelo Queiroz ter apresentado uma proposta aos policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, a categoria ainda aguarda oficialmente pela tabela de correções salariais que será enviada à classe hoje pela manhã. O presidente da Associação dos Oficiais Reformados da Polícia Militar (Asor), Mauro Brambilla, disse que ainda não teve acesso aos números propostos pelo GDF.
“Embora os números oficiais só serão apresentados à classe hoje, nós fizemos algumas contrapropostas e ainda iremos avaliar o que foi repassado durante a reunião com o governador. Nós havíamos pedido que algumas parcelas do reajuste fossem concedidas com vencimento em abril e pagamento já no mês de maio”, relatou.
Segundo Brambilla, o reajuste chega “tarde demais”. “Temos policiais militares com mais de dez, quinze anos de carreira, que sequer tiveram uma promoção. Isso é inaceitável na carreira de um militar”, afirmou.
O comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, Anderson de Moura, deixou a reunião acompanhado de PMs e não quis falar com a imprensa.
Polêmica da direção não acabou
Na noite de ontem, o advogado representante da Associação do Fórum Permanente dos Servidores Integrantes das Carreiras Típicas do DF (Finacate) que está atuando em nome dos policiais, Helton Barbosa, ainda aguardava na 13ª Vara do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª região a decisão da juíza a respeito da ação declaratória de nulidade contra a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A liminar foi apresentada à Justiça na quinta-feira depois da publicação no Diário Oficial da União (DOU) que autorizava os conteúdos e a regulamentação dos cursos de especialização serem definidos internamente por cada órgão de segurança pública.
Curso de direção
A partir da norma, os policiais estariam desobrigados a fazer curso específico para dirigir viaturas. “O Contran não é um órgão com competência legislativa, mas apenas legal para regulamentar dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O Contran extrapolou a competência regulamentar e invadiu competência privativa da União ao legislar sobre matéria de trânsito”, defende.