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Brasília

Expansão urbana favorece a disseminação de hantavirose no DF

Arquivo Geral

10/12/2009 0h00

 expansão desordenada do Distrito Federal não é prejudicial apenas ao planejamento urbano da cidade. Oferece também riscos à saúde de seus habitantes. Na dissertação de mestrado “Aspectos geoambientais e epidemiológicos em áreas de transmissão da hantavirose no Distrito Federal”, o pesquisador da UnB Janduhy dos Santos aponta para a relação que existe entre o  desmatamento do Cerrado em regiões próximas a áreas urbanizadas e a disseminação da hantavirose.

“Os impactos ambientais que ocorrem em áreas de preservação próximas às de urbanização no DF são os grandes responsáveis pela disseminação da hantavirose”, afirma Jundahy. Segundo o pesquisador, a criação de amplos condomínios e assentamentos próximos a regiões de preservação ambiental favorecem afetam o habitat natural do Rato do Capim, transmissor da hantavirose.


O vírus que circula no DF é conhecido como araraquara, associado ao roedor Necromys lasiurus, conhecido popularmente como Rato do Capim, encontrado em grande quantidade no Cerrado. Esse roedor se alimenta de sementes de capim braquiária, comum no Cerrado durante o período das chuvas. Na época das secas, quando essas sementes são escassas, os ratos do capim procuram comida nas casas que estão ao redor. A doença é transmitida através da urina ou das fezes dos animais que se mistura com o ar, e acaba inalada por humanos.


O estudo de Janduhy procurou analisar a influência do clima e do uso e ocupação do solo na disseminação da hantavirose no DF durante o período entre 2004 e 2008. Dados epidemiológicos, climáticos e do uso da terra e imagens de satélites foram utilizados para recolher informações.


A pesquisa concluiu que a grande maioria dos casos ocorre nos meses de julho a agosto, normalmente periodos de estiagem. As áreas que tiveram grandes índices de contágio foram Brazlândia, Paranoá, Planaltina e São Sebastião, todas áreas urbanas próximas a empreendimentos agrícolas.


No total, foram registrados 40 casos de hantavirose entre 2004 e 2008. Desses casos, 47% estavam em áreas com pastagem próxima aos núcleos urbanos. Em segundo lugar estiveram às áreas estritamente urbanas, com 25% (10 doentes) dos casos. Os outros 11 casos de hantavirose (27%) foram encontrados ou em áreas para a agricultura, ou em áreas de preservação do Cerrado, como córregos usados para lazer. Em São Sebastião, onde foi feito um estudo de caso, foram registradas 15 pessoas infectadas durante o mesmo período, 12 deles estão ou dentro do perimetro urbano, ou bem próximo a ele, no núcleo rural Aguilhada.


Segundo a orientadora da dissertação, a professora Ercília Steinke, essa perspectiva pode se agravar com o tempo. “O que acontece em Brasília é que as áreas rurais vão se tornando urbanas sem qualquer critério”, opina. Segundo a professora, a incidência de casos tende a aumentar se não houver planejamento da ocupação.

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