Menu
Brasília

Expansão distorcida prejudica o trânsito em Águas Claras

Arquivo Geral

03/12/2018 7h00

Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília.

A cidade vertical é vítima da fome insana da especulação imobiliária e da falta de planejamento. A cada mordida, a vizinhança perde qualidade de vida, principalmente no transporte. Engarrafamentos e poucas vagas para estacionamento humilham motoristas. E apesar do Metrô cortar o local, o transporte público deixa a população na mão.

Águas Claras convive com cicatrizes profundas abertas pela falta de planejamento urbano. Na Avenida das Castanheiras, Lote 3350, um grande complexo residencial foi erguido com 1.060 unidades. Apesar das proporções monumentais, o projeto foi construído sem vagas de estacionamento ao redor. Nos horários de “rush”, a frota de moradores conta apenas com uma saída. Resultado? Engarrafamentos saqueiam a paciência dos condôminos e da vizinhança.

Na Avenida Castanheiras, o mercado busca transformar o lote 3700 em um grande empreendimento, a princípio o movimento é pela construção de um imóvel residencial. Mas outros usos também estão em jogo. Para os moradores, a mudança no local onde hoje funciona uma instituição de ensino superior é uma angustiante incerteza. Afinal, o trânsito no local já é um grande tormento nos horários de pico.

“Não vejo condições de melhorar com um adensamento maior. Não tem como alargar avenidas. O que a gente precisa é que o governo invista no transporte coletivo de massa de qualidade”, sugere o dirigente da Asmav.

Segundo José Júlio de Oliveira, o Metrô já não consegue atender a população. “Os trens chegam e saem lotados nas horas em que as pessoas vão trabalhar. E não tem ônibus constante para levar os moradores das quadras mais distantes para as estações. Aí o pessoal acaba pegando o carro do mesmo jeito para andar dentro da cidade”, conta o dirigente da Asmav.

Depois de meses de muita briga e negociação, a população conseguiu uma linha circular de ônibus para a cidade. Mas segundo o presidenta da Amaac, o governo já dá sinais de que pretende suspender a circulação do transporte.

Não vejo condições de melhorar com um adensamento maior. Não tem como alargar avenidas. O que a gente precisa é que o governo invista no transporte coletivo de massa de qualidade. (José Júlio de Oliveira, presidente da Amav). Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília

Esqueletos urbanos assustam moradores

Os esqueletos imobiliários espalhados pela cidade também assustam a população de Águas Claras. Segundo líderes comunitários, as estruturas funcionam como abrigo para mendigos e assaltantes. E além disso, oferecem risco para crianças e adolescentes. Afinal, as cercas estão abandonadas e são facilmente ultrapassadas.

Além dos prédios, a cidade é rasgada por grandes valas de obras à céu aberto. Cobertas por mato e água das chuvas, são a morada perfeita para ratos, mosquitos e escorpiões. “O governo deveria tomar uma providência. Mas a gente fala e nada é feito”, desabafa José Júlio de Oliveira.

Sobre o fato do governo não ouvir a população, Oliveira cita o caso do semáforo instalado no balão da Avenida Castanheiras, na tríplice fronteira entre a cidade, Taguatinga e Vicente Pires.

“Eu particularmente sou contra o semáforo. Ele é um instrumento de retenção do trânsito. Apesar de talvez poder dar uma segurança melhor, talvez até para o pedestre. Ele não deveria ser caber em um cidade projetada. Ali deveria ser feito um viaduto de elevados que realmente resolvesse o problema”, sugere.

Saiba mais

A comunidade de Águas Claras já conseguiu vencer algumas batalhas na guerra a contra a pressão imobiliária. Um exemplo é o caso das quadras 300. Nelas, prédios de médio e pequeno porte convivem com residências unifamiliares, casas propriamente ditas. Construtoras pressionaram o Buriti para conseguir erguer grandes espigões imobiliários na região. A população se mobilizou e conseguiu manter o local.

Outra vitória foi na praça Pardal, na quadra 204. O local é um modelo urbano para a cidade, inclusive com arborização. Com exceção de um prédio, todos os edifícios do local respeitaram o gabarito original da cidade.

A Amaac fez uma enquete em maio de 2017 com seguinte pergunta: “Você quer uma escola pública em Águas Claras?”. Aproximadamente, 700 pessoas participaram. Deste total, nada menos de 85% responderam “sim”.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado