CONSTANÇA REZENDE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa tratou em mensagens do WhatsApp com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro sobre a compra de apartamento em seu benefício. Ele foi alvo de um operação da Polícia Federal, nesta quinta-feira (16).
Em uma das conversas, Paulo Henrique afirma ao banqueiro que, se Daniel Monteiro, advogado próximo a Vorcaro, pudesse “fazer e enviar o contrato, seria ótimo”.
“Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando. Dia 01/03 está logo aí. Acabei de pousar em Salvador e estou trabalhando na Renogrid”, disse.
Em seguida, Vorcaro responde: “Fala amigo, ótimo, também estou empolgado. Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto”.
Paulo Henrique afirma: “Fechado! Obrigado”.
Os autos afirmam que o ex-presidente do BRB teria aceitado vantagem indevida estimada em R$ 146,5 milhões, representada por seis imóveis de luxo e elevadíssimo padrão, escolhidos segundo critérios pessoais e familiares, em tratativas mantidas diretamente com Vorcaro, com corretora de confiança deste e com integrantes do escritório do banqueiro.
A documentação policial descreve que os bens eram tratados como “cronograma pessoal” de Paulo Henrique, que o investigado visitava ou validava os imóveis selecionados, cobrava andamento das aquisições e que chegou a demonstrar preocupação com a falta de documentação formal do arranjo, o que reforça a consciência sobre o caráter dissimulado da operação.
A defesa nega irregularidades e destaca que o BRB comunicou ao Banco Central, em janeiro de 2025, que o fundo Verbier se tornaria um “participante qualificado” do capital do banco, e que, em 23 de abril de 2025, comunicou a autoridade monetária após tomar conhecimento da identidade dos beneficiários finais dos fundos.