Lucas Dutra
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A eclética mistura protagonizada por DJs, MCs (mestres de cerimônia), grafiteiros e dançarinos de break dance, principais pilares de sustentação da cultura hip hop, tem reunido cada vez mais público no Encontro Nacional de B.Boys e B.Girls de Brasília, organizado anualmente. Ontem, cerca de mil pessoas visitaram as programações oferecidas no Conic, na Praça do Chapéu. Com condições impulsionadas por apoios mais regulares da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, organizadores e produtores passam a mostrar o poder do movimento local.
No Distrito Federal, existem grupos e Organizações Não Governamentais (ONGs) vinculadas às características do hip hop, em todas as regiões administrativas. Além do Encontro Nacional de B.Boys e B.Girls, organizadores dos grupos Atitude e Força Tarefa promovem eventos na Praça do Chapéu em todos os primeiros sábados de cada mês, há 20 anos, para reunir interessados e oferecer troca de experiências.
Segundo o diretor-executivo do Grupo Atitude, Sérgio de Cássio, o movimento hip hop do DF tem se tornado cada vez mais expressivo, mas precisa de mais atenção. “Hoje, temos qualidade, mas precisamos ter mais recursos e infraestrutura para a coisa continuar. O principal apoio é o FAC (Fundo de Apoio à Cultura), um dos principais financiadores hoje, mas também precisamos do interesse de empresas privadas”, comentou. Para financiar o Encontro Nacional, foi preciso reunir cerca de R$ 2 mil, para oito horas de programação.
Arte como profissão
Entre as vertentes do hip hop, o grafite representa uma expressão plástica estampada em paredes e sempre está presente nos encontros do DF. O grafiteiro Pedro Felipe da Silva, 22 anos, conhecido pelo codinome Felipe RDoze, adotou a arte como profissão. “O grafite já representa um meio de ver as coisas de um outro ângulo. Mudou muito meu jeito de pensar. Faz mais de um ano que trabalho com grafite, indo em casas e estabelecimentos”, revelou. Os custos podem ser tão expressivos quanto a arte: para cada dez metros de paredes coloridas, é necessário investir entre R$ 300 e R$ 500 em sprays de tinta.
O break dance é outra base do hip hop muito praticada pelo movimento. A dança chama atenção pelos movimentos plásticos e piruetas em diferentes graus de dificuldade. O militar Denilson Ferreira Lima, 21 anos, aprendeu o estilo há quatro anos e apontou algumas das dificuldades. “Ensaio toda semana. Às vezes, não tenho espaço para isso e preciso criar um na rua, com meus amigos”, comentou. O dançarino, morador de Águas Lindas, frequenta todos os encontros mensais do Conic há cinco anos, e utiliza o ônibus como transporte.
Além da dança, outros dois pilares que sustentam o hip hop também são ligados à música. Os DJs e os MCs são responsáveis pelos sons das festas e encontros.