Fim de ano. O que não faltam são motivos para festejar. A programação cultural da cidade se amplia. São festas espalhadas por todo canto. Em 2009, mais de 1.300 requerimentos de alvarás para eventos foram encaminhados à Administração Regional de Brasília. Nesta época, os pedidos se multiplicam. Mas antes que a música toque e as pessoas se acabem de dançar na pista, existe todo um trabalho por trás para garantir a segurança e a animação do público presente e daqueles que trabalham para garantir a festa.
Independentemente do tipo de evento – seja infantil, musical, ou esportivo – tudo precisa estar dentro dos padrões de segurança exigidos por normas específicas para realização de atividades que concentrem mais de 200 pessoas. Além da parte burocrática de protocolar o requerimento, os organizadores da festa precisam ter ciência dessas exigências. Assim, não serão pegos de surpresa ao ter o pedido de alvará negado, após vistoria do Corpo de Bombeiros.
Detalhes
Inúmeros detalhes que passam despercebidos aos olhos de qualquer leigo, não escapam da visão minuciosa da equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que trabalha para que milhares de pessoas possam se divertir com segurança. Por exemplo, palco, arquibancadas, camarotes, tendas precisam ser avaliados por um técnico que ateste a capacidade da estrutura física. A quantidade máxima de pessoas que a arquibancada comporta deve ser especificada e respeitada pelos organizadores.
Tanto a parte montada específica para o evento como o local onde ele será realizado passam pela avaliação da Diretoria de Serviços Técnicos (DST) da corporação. As saídas de emergências devem ser dimensionadas e destravadas. “Se a porta for aberta apenas parcialmente vai formar um funil. No momento de pânico isso pode provocar o esmagamento de pessoas”, alerta o capitão Andrade, da DST. Os hidrantes não podem estar com as mangueiras danificadas.
O sargento Mendes, também da DST, explica que nesta época chuvosa o cuidado dos organizadores na montagem do evento tem que ser redobrado. “Em lugares abertos, onde há estrutura metálica, são exigidos captores naturais que recebam as descargas atmosféricas”, explica, lembrando o risco dos raios. Segundo ele, isso pode ser feito por hastes metálicas que contam com fios de cobre aterrados a 30 metros do solo. Eles funcionam como para-raios que dissipam a descarga elétrica na terra.
O Jornal de Brasília acompanhou o sargento em uma dessas vistorias. O oficial negou o pedido de alvará ao produtor porque ele não apresentou o atestado de responsabilidade técnica da parte elétrica do evento.
Vistoria
Além disso, no momento da vistoria, no local destinado para a preparação dos alimentos que seriam vendidos, não havia botijões de gás com mangueiras de malha de aço, nesse caso de uso obrigatório. Segundo o tenente, o material de borracha é totalmente inflamável e inadequado para lugares com grande concentração de público. “Só serve para ser usada na cozinha de casa”, ressalta.
“Para que o evento seja realizado, o organizador precisa resolver esses problemas”, explica o sargento. O produtor terá tempo de resolver as pendências apontadas. Depois disso, pode solicitar outra vistoria para verificar se está tudo pronto para receber o público com toda a segurança.