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Brasília

Evento com carros de época reafirma cultura antigomobilista no Gama

Quarta edição do Encontro de Opala e Antigos reuniu milhares de entusiastas do automobilismo e centenas de veículos clássicos

Guilherme Abarno

19/07/2026 16h05

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Fotos: Guilherme Abarno / Jornal de Brasília

O ronco clássico dos motores e a nostalgia ocuparam o Gama neste domingo (19) e transformaram o estacionamento do Detran em um verdadeiro túnel do tempo. A 4ª edição do Encontro de Opala e Antigos atraiu milhares de entusiastas e consolidou o evento como ponto de encontro obrigatório para colecionadores e apaixonados por relíquias sobre rodas.

Um dos idealizadores, Glêves Campos Silva Filho, de 37 anos, destacou a trajetória do evento, criado em 2022. Para ele, o encontro nasceu como um sucesso, visto que a primeira edição reuniu cerca de 1.500 pessoas. O produtor, DJ e coordenador de audiovisual do Jornal de Brasília, Jeferson Legal, também faz parte da equipe responsável.

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Além da exposição, os organizadores promoveram uma ação solidária em paralelo ao evento. Com entrada gratuita, foi solicitada aos participantes a doação voluntária de 1 kg de alimento não perecível. As doações arrecadadas serão destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social no Distrito Federal e entorno.

“A primeira edição, realizada no Setor Sul do Gama, foi um grande sucesso. A segunda edição também aconteceu no mesmo local. Agora, na quarta edição, consolidamos o evento como um dos principais encontros automotivos da região. O intuito é promover a integração entre famílias. Buscamos esse lado familiar, pois o espaço permite que o pai traga o filho, o sobrinho e o neto”, disse.

Neste ano, a organização escolheu o estacionamento da área de exames do Detran. O novo local oferece maior capacidade de público e garante melhor comodidade aos participantes. Glêves relata que a edição anterior, em 2025, reuniu 400 veículos e 8 mil pessoas. Diante desse sucesso, a expectativa era repetir o mesmo alcance nesta edição.

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A paixão por carros antigos é o que move os expositores. O técnico de manutenção de máquinas industriais Walter dos Santos Azevedo, de 50 anos, é veterano no evento. Participante assíduo desde 2022, ele exibe um Opala 1972 laranja, herança do pai, que mantém com cuidados especiais após o veículo ter se tornado sua propriedade.

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“Venho desde o começo com meu Opala 1972, todo original, de quatro portas, conhecido aqui como ‘rabo de peixe’. Tenho este carro há 30 anos, desde 1996. Era do meu pai. Foi um presente de pai para filho. Ele me deu o carro conservado em 96 e eu apenas fiz a manutenção. É muito legal participar, é prazeroso”, conta.

Para que um veículo com mais de 30 anos seja reconhecido como “de coleção”, ele precisa passar por avaliação técnica de um vistoriador de clube certificado, como o Clube do Opala de Brasília. Eliane Cristina Ferraz Vitorino, 60, possui um Opala Comodoro 1988 vermelho, modelo que ela afirma ser o único do Distrito Federal. Proprietária do carro há dois anos, a organizadora de eventos destaca a presença feminina nesse ambiente automotivo.

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“É uma paixão antiga, herdada da infância. Meu pai teve diversos modelos, como Kombi, Fusca, Fiat 147 e Chevette. Hoje, vejo muitas mulheres no Clube do Opala de Brasília, seja na organização ou acompanhando seus esposos. É um universo fascinante e, acima de tudo, um modo de vida.”

O engenheiro Jeferson Bozi de Mesquita, de 34 anos, dono de um Opala 1971, também destaca que sua paixão nasceu no berço. “Faz 10 anos que estou com o carro. Fui buscá-lo em Minas Gerais com meu pai. Desde pequeno, eu vivia nesse mundo de carros. Meu pai teve um veículo antigo e eu também ia com meu avô ao ferro-velho, então sempre estive envolvido com eles. Veio o modernismo e os carros injetados, mas os antigos sempre ocuparam meu coração. Agora, a ideia é permanecer com eles e transmitir esse legado ao meu filho.”

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O corretor de imóveis Ivan Gomes Feitosa, de 54 anos, o “Galego Chepala”, é referência em eventos automobilísticos no Gama e pioneiro no meio desde a década de 1970. Ele marcou presença na 4ª edição do Encontro de Opala e Antigos a bordo de um Camaro SS, clássico contemporâneo que desperta a atenção do público geral.

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“Este tipo de evento incentiva o público, inclusive os jovens e crianças, a continuar o legado. É um meio de descontrair, deixar a internet de lado e apreciar os carros. Gostar de automóveis está na veia dos brasileiros”, observa.

O professor aposentado Fábio Cavalcante Oliveira, de 44 anos, aproveitou o evento para relembrar o passado ao lado do filho, Vinícius. Para ele, a paixão pelo antigomobilismo é um legado familiar que faz questão de transmitir.

“Sou um entusiasta apaixonado por carros e estou transferindo essa experiência para o meu filho. Aqui no Gama, a cultura dos veículos clássicos é muito forte. Nos anos 1990, nossos encontros eram bem informais. Hoje, o evento é muito mais organizado e oferece até espaços para manobras.”

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Realizada com o apoio da Administração Regional, a 4ª edição do Encontro de Opala e Antigos reafirma o Gama como um dos principais pontos de referência do antigomobilismo no Distrito Federal.

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