Lígia Vieira
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Uma pesquisa recém-publicada na revista científica britânica Nature, que contou com a colaboração do Ministério da Saúde, confirma que praticar atividades físicas regularmente diminui os casos de câncer de mama e as mortes devido à doença no País. Segundo o estudo, 12% das mulheres, que morreram no Brasil entre 1990 e 2015, poderiam ter prevenido a doença por meio de exercícios físicos.
Ao se exercitar, a mulher produz hormônios que aumentam as substâncias anti-inflamatórias no corpo e reduzem as inflamatórias. Então, com caminhadas leves de 30 minutos durante cinco dias por semana, os pesquisadores calculam que teriam sido evitadas 2.075 mortes em 2015.
“O exercício físico é indicado para a prevenção do câncer e também durante o tratamento e após o tratamento”, explica o oncologista clínico Eduardo Vissotto. “De uma maneira geral, reduz o risco de o câncer voltar no futuro. Além disso, é visível que diminui os efeitos colaterais de algumas medicações nas pacientes”, acrescenta o profissional, que é coordenador do Centro de Oncologia Santa Lúcia.
A publicitária Lúcia Nery, 62 anos, descobriu que tinha câncer em uma das mamas e passou por uma mastectomia. Na cirurgia, resolveu realizar o procedimento nos dois seios e, mais tarde, quando recebeu o diagnóstico da biópsia, veio junto a notícia de que ela estava desenvolvendo a doença também na outra mama.

A publicitária Lúcia Nery, 62 anos, descobriu que tinha câncer em uma das mamas e passou por uma mastectomia.
A atividade física, mais especificamente a caminhada, ajudou Lúcia no tratamento do câncer. “Durante o tratamento, dá muita fraqueza no corpo. A vontade é de ficar em casa deitada. Mas você está numa guerra, então tem que reagir e se exercitar dá uma energia extra. Além do que, caminhar vira um passeio que ajuda até a cabeça, pois a gente vê a vida passar”, relembra.
Algumas das alunas da personal trainer Renata Costa, 33 anos, são mulheres que têm casos de câncer na família e começaram a se exercitar regularmente para evitar a doença. Ela percebe que os três primeiros meses são o período em que há mais desistências, por isso dá a dica: “Primeiro você tem que achar o tipo de atividade física que te dá prazer. Depois ela tem que se encaixar na sua rotina e ser próxima de casa ou do trabalho”.
A personal trainer também observa que a atividade física ajuda no tratamento de todos os tipos de câncer. “A gente vê que a pessoa está muito debilitada e com os exercícios físicos tem mais disposição, mais energia e melhora a autoestima”, expõe.
Wanessa Freire Amaral, 41 anos, também personal trainer, teve câncer na região da axila e continuou malhando normalmente. “Diminuí pouco a intensidade dos treinos. Durante todo o tratamento, vivi uma vida normal. O que eu digo para quem está passando pelo mesmo que eu é: não mude a rotina, continua trabalhando. Somente evite alimentos em locais suspeitos”, indica.
Ponto de Vista
“A Sociedade Brasileira de Mastologia indica que as mulheres devem fazer mamografia uma vez por ano a partir dos 40 anos de idade”, explica o mastologista Rodrigo Pepe, do Instituto Onco-Vida/ Oncoclínicas . Para ele, é muito importante o diagnóstico precoce. “Quanto mais cedo descobrir, a chance de cura chega a 95%”, complementa.

Oncologista clínico Eduardo Vissotto. Foto: Divulgação
Ele ainda adverte quem já experienciou todas as etapas do tratamento. “Aquelas que já passaram pelo tratamento, seja pela radioterapia, quimioterapia ou pela cirurgia, têm que fazer uma acompanhamento mais frequente para o médico ver a resposta do corpo”, afirma.