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Brasília

Estudantes ocupam reitoria da Católica e reivindicam volta de bolsa-atleta

Arquivo Geral

29/11/2012 17h28

Eric Zambon

eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

 

O prédio da reitoria do campus de Taguatinga da Universidade Católica de Brasília (UCB) foi ocupado por volta das 10h desta quinta-feira (29) por cerca de 20 estudantes insatisfeitos com recentes decisões administrativas da instituição. Entre elas, o aumento das mensalidades em 8,9% e a eliminação da bolsa-atleta, que atendia a mais de 400 pessoas.

 

Nos bastidores, corre a notícia de que a mantenedora da universidade, a União Brasiliense de Educação e Cultura (Ubec), que se diz uma sociedade civil, sem fins lucrativos e de utilidade pública, é a verdadeira responsável pelas ações. O reitor da UCB, Cícero Ivan Ferreira Gontijo, teria assumido o cargo sob ordens de economizar dinheiro enquanto estivesse à frente da unidade que mais rende lucros dentre as controladas pela Ubec, formada por cinco Províncias Religiosas e uma Diocese.

 

Uma aluna que participa da ocupação concedeu entrevista por telefone ao podcast do estudante da UCB André de Castro e explicou a situação. Ela não quis se identificar.

 

“Na quarta-feira da semana passada a reitoria, sem nenhuma negociação com os estudantes, cortou uma bolsa proposta pelo movimento estudantil junto à antiga reitoria chamada bolsa-atleta. Nosso movimento reivindica a suspensão imediata do corte das bolsas-atleta e do aumento da mensalidade”, declarou a jovem.

 

Segundo ela, dentro da reitoria conseguiram entrar, no máximo, 20 pessoas, mas há mais de 50 do lado de fora. “Tem uns 10 seguranças na frente da porta inibindo as pessoas de entrarem e eles fecharam as janelas e entradas de ar. Proibiram a gente de usar o banheiro da reitoria e não tem como passar água nem alimentos.”

 

A assessoria da Universidade Católica assumiu que trancou os alunos dentro do prédio, mas apenas para evitar novas “invasões”. Uma negociação com os estudantes estaria descartada e as decisões seriam irrevogáveis, mas foi admitida a possibilidade de uma conversa para resolver a questão de maneira amigável.

 

Pela manhã, o pró-reitor de extensão, Jorge Hamilton Sampaio, teria dialogado diretamente com os ocupantes, mas não as partes teriam chegado a um consenso.

 

“Depois que a gente disse que não sairia da reitoria sem a anulação do corte do bolsa-atleta e o aumento na mensalidade, a Universidade não conversa mais com a gente. Disseram que somos responsáveis por qualquer objeto dentro da instituição”, contou a estudante.

 

O problema

 

O bolsa-atleta faz parte do que a UCB chama de compromisso social da universidade. Em 2010, atendia a 392 alunos e, segundo o fundista Caio Sena, beneficiado pelo programa, em 2011 o número aumentou para 422. Com o corte, todos os estudantes participantes do programa serão prejudicados.

 

Segundo o site da universidade, havia duas modalidades da bolsa pleiteada pelos estudantes: a atleta e a remanescente. Na primeira, o indivíduo tinha desconto de até R$ 400 na mensalidade e concorria por meio de edital. Ele precisava submeter seu currículo esportivo e passar por seis meses de treinamentos antes de ser beneficiado. 

 

A remanescente era para atletas de alto desempenho que eram convidados a participar das equipes da UCB. Com isso, eles podiam receber descontos de 10% a 80% no pagamento mensal, além de terem toda a estrutura da universidade à disposição.

 

A presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE), uma advogada formada na universidade e as deputadas Erika Kokay e Eliana Pedrosa devem se reunir a partir das 18h com representantes da reitoria da UCB para discutir a questão.

 

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