Dentro da corte, os ministros do Supremo Tribunal Federal faziam história com as leis e mantinham o governador Arruda na cadeia. Do lado de fora, os estudantes da Universidade de Brasília entravam para a curta história de protestos vitoriosos e vibravam, voto a voto, com a decisão da Corte Suprema.
Personagens presentes em cada capítulo da crise de Arruda, os alunos da UnB, liderados pelo Diretório Central dos Estudantes, ocuparam o Eixo Monumental, interromperam o trânsito e caminharam do Palácio do Buriti até a sede do STF, cantando palavras de ordem, debaixo de chuva. Cerca de 150 estudantes universitários e secundaristas reclamaram seu papel na história do DF.
“Não sou otário, nem infeliz. Fora Arruda, Paulo Otávio e Roriz!”, cantavam, caminhando na contramão dos automóveis. A passeata ocupou todas as faixas da pista. Na Rodoviária, mudaram de pista e o trânsito foi completamente interrompido, sendo liberado à medida que os manifestantes passavam.
A Policia Militar acompanhou a passeata de forma pacífica e reteve o trânsito em alguns pontos para diminuir o fluxo de carros. O trânsito ficou engarrafado, mas mesmo assim, alguns motoristas passavam buzinando apoiando a manifestação. “Não deixa soltarem ele, não!”, pediu aos estudantes, de dentro do seu carro, a funcionária do Itamaraty Dulce Aquino.
Também houve manifestações contrárias. Uma senhora tentou passar com o carro entre os manifestantes e quase os atingiu. “Vocês estão impedindo meu direito de ir e vir”, gritava. A PM acalmou os ânimos e os estudantes seguiram.
A mobilização começou durante a semana, não só na universidade, mas também nos colégios. “Passamos nas escolas para chamar os alunos para participar”, conta Raul Cardoso, coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Em algumas escolas, os professores realizaram oficinas e debates.
Foi o que aconteceu no Centro de Ensino Ave Branca, de Taguatinga. Mas Lenina Ferreira, aluna do 2º Ano, conta que poucos alunos vieram porque a direção não conseguiu disponibilizar um ônibus. Já os alunos do Centro de Ensino de Taguatinga Norte (CETN) ratearam os custos da condução e conseguiram levar 40 pessoas. “Os alunos sentem que estão fazendo história”, explica a professora de Filosofia do CETN Marly Porto.
SUPREMO – A passeata chegou ao STF pouco depois das 19h. Quando chegaram, os manifestantes a favor de Arruda já estavam lá, mas não houve confronto. “Estamos aqui desde às 8h da manhã e viemos de forma pacífica, sem atrapalhar o trânsito nem a vida de ninguém”, disse Juscelino Fernandes, prefeito comunitário do Setor Primavera, em Taguatinga Norte e pró-Arruda.
Os estudantes se concentraram na lateral do Supremo para esperar o resultado da votação. Raul Cardoso acompanhava a audiência com um rádio e repassava as informações para os demais com um megafone. Quando o relator do processo, ministro Marco Aurélio Garcia, leu seu voto a favor da manutenção da prisão, todos gritaram. “Vamos comemorar voto a voto”, conta Raul.