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Brasília

Estudantes fazem apologia a estupro durante trote da UnB

Arquivo Geral

25/07/2013 19h52

Um cartaz com apologia a um crime hediondo foi apresentado durante o trote de ontem na Universidade de Brasilia. Após a divulgação da lista dos aprovados no último vestibular, estudantes de Engenharia de Redes seguraram uma cartolina com os dizeres: “caiu na redes (fazendo referência ao curso superior)… é estupro”.

 

A apologia ao estupro diz respeito a um possível trote que estudantes do curso de Engenharia de Redes sofriam ao ingressar na Universidade. A foto do cartaz está circulando na internet e gerando revolta por parte dos internautas. Estudantes da cidade também se revoltaram com o ocorrido. Segundo a aluna de Ciências Políticas, Carolina Santos, 21 anos, esse não é um acontecimento novo e já levou a UnB a tomar providências. De acordo com a estudante, em 2008, após o trote do curso de Agronomia, a Universidade de Brasília acrescentou nas Normas de Convivência da instituição, a proibição de trotes que exponha alunos à atitudes que atinjam sua integridade.

 

A imagem, que possui mais de três mil compartilhamentos, foi divulgada também em um grupo de estudantes, Movimento Honestinas, que é composto por alunos da própria universidade, em uma rede social. “Esses alunos têm uma visão lamentável da mulher e essas atitudes devem ser combatidas não só dentro da UnB mas também fora”, afirma estudante.

 

O estudante de Pedagogia Virgílio Soares, que publicou a imagem no seu perfil do Facebook, afirmou por meio da sua página na internet que, “(Os alunos) insistiram em manter a exibição do cartaz de forma orgulhosa, como é possível observar na foto, resolvi publicar nos mais diferentes grupos da rede social Facebook, com a finalidade de problematizar e fomentar o debate contra sobre o machismo e a violência contra a mulher”, afirmou. 

 

A Secretaria da Mulher divulgou nota de repúdio ao cartaz. “O cartaz tratou as mulheres como objetos, depreciando sua integridade e desmerecendo-as enquanto sujeitos. Este tipo de trote advém do período militar, quando a calourada tinha uma função social de contestação e crítica dos estudantes”, destacou a nota assinada pela secretária da Mulher, Olgamir Amancia. 

 

A professora Sônia Marise Salles, da Diretoria de Assuntos Comunitários (DAC) confirmou a identificação dos alunos e marcou uma reunião com os acusados para amanhã (26), que também terá a presença dos pais de um dos estudantes, que é menor de idade. Segundo a professora, a atitude dos estudantes não representa o pensamento da Universidade de Brasília. Sônia Marise também contactou o Centro Acadêmico de Engenharia de Redes e, de acordo com a professora, afirmou que a expressão “Caiu nas Redes é…”, utilizada no cartaz, é utilizada em diversos cartazes do curso de forma descontraída mas, a referência ao estupro é de responsabilidade dos acusados. 

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