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Brasília

Estudantes do HUB exigem abertura do Pronto-Socorro

Arquivo Geral

27/08/2010 12h53

De jaleco branco, tambores a tiracolo e cartazes em punho, pelo menos 70 estudantes da Faculdade de Saúde atravessaram o campus Darcy Ribeiro, nesta quinta-feira, pedindo a reabertura do Pronto-Socorro do Hospital Universitário de Brasília (HUB), fechado há dois anos. Ao chegarem ao prédio da Reitoria, entregaram ao reitor José Geraldo de Sousa Júnior documento pedindo esclarecimentos sobre o fechamento da unidade e exigiram participar das reuniões que tratam da reativação.

 

A manifestação começou em frente ao Hospital Universitário, onde o Conselho Comunitário e Social do HUB discutia o plano de obras do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários (Rehuf).

 

A reforma do Pronto-Socorro, prevista para acontecer no primeiro semestre de 2011, será custeada com recursos da própria Universidade de Brasília. De acordo com o diretor do HUB, Gustavo Adolfo Sierra Romero, a licitação deve acontecer até o final de outubro. “Iniciada a construção, a expectativa é de que a obra seja concluída em seis meses e que no segundo semestre o Pronto-Socorro já possa voltar a funcionar”, afirma.

 

Segundo ele, a reforma demorou porque quando o piso começou a rachar, abrindo enormes fissuras no chão, foi preciso fazer um diagnóstico técnico do que estava acontecendo. A análise exigiu a demolição do piso e revelou que a infra-estrutura do prédio não estava prejudicada, mas havia graves problemas técnicos. “Teremos de refazer toda a rede pluvial e elétrica”, explica Romero.

 

O Pronto-Socorro atendia aproximadamente 200 pessoas por dia quando estava em funcionamento. Desde o fechamento da unidade, esses pacientes estão sendo encaminhados para outros hospitais do Distrito Federal.

 

PARTICIPAÇÃO – Os estudantes consideram que estão entre os principais prejudicados pela falta de atendimento. “Atualmente, se algum aluno passa mal dentro da UnB, tem de ir para outro hospital”, conta Pedro Henrique Morais, aluno do 6º semestre de Medicina, que participou do protesto.

 

A participação nas discussões sobre a reativação do HUB foi um dos principais pontos reivindicados pelos alunos no documento entregue ao reitor. Veja aqui. “O que a gente acredita é que ainda falta uma coordenação de esforços entre todos os envolvidos para que a situação melhore”, afirma Lucas Brito, coordenador geral do Centro Acadêmico de Medicina. “Passamos a receber informes sobre o andamento da obra apenas de setembro do ano passado para cá”, conta Pedro Henrique Morais, aluno da Medicina.

 

O reitor comunicou que o Conselho do HUB terá um assento para os estudantes. “O atraso na construção do Pronto-Socorro não é por falta de recursos nem prioridade, mas por entraves técnicos que são naturais em situações como essa”, disse.

 

RECUPERAÇÃO – Embora a reforma do Pronto-Socorro não esteja dentro do plano de obras do Rehuf, a proposta de orçamento para a terceira das três etapas do programa inclui recursos para equipar a unidade, com novos leitos e material de uso cotidiano dos médicos, como desfibriladores. A segunda etapa, que foi apresentada nesta quinta-feira ao Conselho Comunitário do HUB, inclui seis projetos com um total de recursos previstos de R$ 26,5 milhões.

 

Mais da metade desse valor (R$ 14 milhões), está reservada para a construção do novo prédio do ambulatório. Estão previstas também a implantação de um centro de pesquisa clínica (R$ 4,5 milhões), a construção de uma nova lavanderia (R$ 1,3 milhão), e de uma biblioteca (R$ 3,3 milhões). Esta última é considerada essencial nos Hospitais Universitários. Além do atendimento básico e especializado, ali se formam jovens médicos.

 

O plano orçamentário inclui ainda a readequação da central de materiais, estimada em R$ 1 milhão, e a ampliação das Unidades de Terapias Intensivas neonatal e de adultos de 14 para 28. A UTI infantil tem hoje 6 leitos e ganhará mais 12. Já a de adultos passa de 8 para 10. “Essa é a quantidade que precisamos para que o HUB volte a funcionar com qualidade”, afirma o diretor do hospital.

 

Para este ano, o REhuf vai repassar R$ 2,2 milhões para o HUB, que serão usados para a compra de medicamentos e material médico hospitalar, como luvas e seringas, por exemplo.

 

Criado no dia 27 de janeiro deste ano, o Rehuf terá três anos de duração e tem como propósito financiar a revitalização dos 46 hospitais universitários do Brasil, que acumulavam dívidas de R$ 426 milhões até 2009, segundo diagnóstico apresentado pelo MEC.

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