Andréia Castro
Especial para o Jornal de Brasília
Marcella Cristina tem apenas 11 anos de idade mas já entende o sistema operacional de um robô. A estudante do 6º ano do Ensino Fundamental garante: “Prefiro passar meu tempo aprendendo robótica a brincar de boneca”. A menina, que estuda no colégio Olimpo, faz parte de uma das 31 equipes, de sete escolas do Distrito Federal, que disputaram a etapa regional Centro-Oeste da VI Olimpíada Brasileira de Robótica. Realizado desde 2007, o evento busca identificar jovens talentos e desenvolver neles o interesse por carreiras na área de tecnologia.
Apesar de considerarem a robótica um hobbie, Armindo Ureige Junior e André Santos, ambos de 17 anos, conquistaram, pelo segundo ano consecutivo, a vaga para competir na etapa nacional da Olimpíada. Em junho deste ano, os jovens foram campeões do Supertime da RoboCup 2012, o Mundial de Robótica realizado na Cidade do México. A equipe dos brasilienses do Colégio Mackenzie é formada também por Joaquim Augusto Silveira, Lucas Mateus Martins e Rafael Ferreira Martins, todos com 13 anos, e derrotou 10 países no mundial mexicano.
“Participo do campeonato desde o 8º ano. Com a experiência, conheci outras culturas e diferentes tecnologias”, explica Armindo – que foi chamado para participar da equipe pela irmã mais velha. “Infelizmente, minha irmã se formou antes de irmos para o último mundial”, acrescenta. “No ano que vem, nós dois também vamos deixar o grupo. E esperamos que outros estudantes continuem nosso legado – que nos exigiu muita dedicação e trabalho duro”, diz André.
REVELAÇÃO DE TALENTOS
Minoria nesse meio, Marcella revela que adora montar as pequenas máquinas. “Dá trabalho, mas é divertido também. Montamos nosso robô em apenas uma aula”, afirma. Em sua equipe, uma das mais jovens da regional, estão Flávio Ferreira e Alexandre Carelli, também de 11 anos. “Apesar de ser a primeira vez que competimos na Olimpíada, ganhamos o segundo lugar em outra competição apenas entre escolas do DF”, conta Alexandre. E garante: “Gostei tanto que quando crescer, vou trabalhar com isso, virar engenheiro mecatrônico”.
Já Flávio conta que sempre quis aprender a montar os protótipos. Enquanto posa para sair na foto que ilustra a matéria, Alexandre olha insistentemente no relógio e nos apressa: “Precisamos ir agora. Vamos treinar para a próxima rodada”.
Infelizmente, a competição não foi tão boa para os pequeninos e quem conseguiu a vaga para o Ensino Fundamental na disputa nacional foi o Mackenzie. A equipe vencedora é formada por Davi Alencar, Aquiles Santos, Gabriel Von Sperling e Mateus Genari.
A Olimpíada Brasileira de Robótica é pública, gratuita e sem fins lucrativos. Ela é organizada pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com o apoio da Comissão Organizadora da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) e da Comissão Organizadora da Olimpíada Brasileira de Informática (OBI). O objetivo por trás do evento é revelar talentos de escolas públicas e privadas do País que querem seguir carreiras científico-tecnológicas.