Estudantes da Universidade de Brasília vão ao Ministério Publico do Distrito Federal (MPDF), na tarde desta quinta-feira, 10 de dezembro, para denunciar a truculência de policiais militares durante a manifestação que transformou o Eixo Monumental num campo de batalha. Vídeos e fotos que registraram os excessos da PM durante o protesto desta quarta-feira fazem parte da documentação que os alunos entregarão aos promotores do Núcleo de Combate à Tortura e Controle Externo da Polícia.
Os três detidos durante a manifestação foram julgados já na noite de quarta-feira, na Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações (DRPI). A estudante de Ciências Sociais da UnB, Ingrid Cartaxo, e um representante do movimento sindical foram absolvidos e tiveram os processos arquivados pela Justiça. Já o ex-aluno de Biologia da UnB, José Ricardo Padilha, agredido pelo coronel Silva Filho (veja video aqui), terá novo julgamento em data ainda não marcada. A Justiça analisará os vídeos das agressões antes de dar o parecer sobre o processo, em que o coronel Silva Filho também é réu.
Dando continuidade aos protestos, nesta sexta-feira, 11 de dezembro, os alunos farão um carnaval fora de época, a “Picareta Candanga”, com concentração na Rodoviária do Plano Piloto a partir das 17h. Encerrando a agenda da semana, o movimento organizará uma carreata no sábado, 12 de dezembro. O grupo sairá do estacionamento do estádio Mane Garrincha rumo ao Centro Administrativo do GDF, em Taguatinga.
RESPONSABILIDADE
As marcas da violência impressas nos corpos dos manifestantes também serão registradas e somadas aos depoimentos e laudos médicos dos que apanharam. “As provas são fartas e claras: a polícia agiu de forma descontrolada e equivocada. Queremos que o Ministério Público responsabilize essa falta de preparo”, comenta a estudante de Direito, Laila Maia Galvão, membro da comissão que vai ao MPDF.
O militante João Batista Filho – vítima do pisoteamento da Cavalaria da PM em um dos momentos mais tensos do embate na Praça do Buriti – anda com dificuldade. A luxação no pé esquerdo é resultado da patada de um cavalo que passou por cima do homem que, em momento algum, ameaçou os policiais. Nas costas e braços, hematomas e feridas das pancadas de cassetete. “Apesar de tudo, estou bem”, comentou o homem, presente na assembléia desta quinta-feira que traçou os novos rumos do movimento “Fora Arruda”. Pelo menos 40 estudantes foram agredidos no protesto.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) quer a saída do coronel Silva Filho, comandante da operação da PM. Vídeo feito pela Agência UnB mostra o momento em que o militar perde o controle e agride o ex-aluno da universidade, José Ricardo Padilha. “Ele estava na tomada de decisões na operação. Ficou claro que não tem preparo para lidar com manifestações desse tamanho. As ações vão continuar, mas chega dessa polícia despreparada”, criticou o coordenador geral do DCE, Raul Cardoso.
CUT – Os estudantes à frente do movimento pela moralização da política acusam a liderança da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de ter abandonado a manifestação no Buriti. “Eles encerraram o protesto e foram embora no momento em que nós fomos para a rua. Só conseguiremos derrubar o Arruda, o Paulo Octávio e toda trupe de corruptos envolvidos no ‘mensalão’ do Democratas se unirmos todos os grupos que lutam pela ética na política”, comentou Raul Cardoso. Hoje, às 17h, membros de DCE se reúnem com a liderança da CUT para buscar a unidade nas ações.