Alunas da Universidade de Brasília se reuniram esta manhã para discutirem propostas para a melhoria da segurança no campus para as mulheres. Da reunião foi acertado um ato em repúdio ao estupro que aconteceu nesta semana. O ato que teve inicio às 17h desta sexta-feira (19), na entrada da ala norte do ICC (Ceubinho).
De lá, o grupo partiu até a reitoria para entregar um manifesto contendo uma série de demandas ao reitor. As alunas requisitam iluminação e aumento no número de vigilantes mulheres, aumento no número de vans que fazem o transporte à noite, um estudo dos casos de estupro ocorridos na UnB e um centro de vivência para que possam ter um lugar de discussão.
O encontro foi organizado por coletivos de sexualidade e grupos feministas de alunas da UnB. Só mulheres participaram. “Precisamos que respeitem um espaço mínimo para nós mulheres nos articularmos”, explicou a aluna de Ciências Sociais, Mariana Rabelo.
Uma das principais demandas é a instalação de postes de luz nos caminhos da UnB para a L2. Ano passado os grupos feministas Abortivas e Confessionário mapearam parcialmente a iluminação da universidade e colocaram velas nos postes apagados. Mas o maior problema ainda é o espaço entre as vias L2 e L3. O GDF chegou a fazer a pavimentação de uma calçada no terreno da entrequadra SGAN 606/607 ao lado do CEAN, mas o trajeto não possui nenhuma iluminação.
O prefeito do campus, Silvano Pereira, justifica que a iluminação nos estacionamentos mais movimentados tem tido manutenção intensiva. Segundo ele, os caminhos no interior da UnB também estão em funcionamento. “O que acontece é que muitos postes estão ligados em série e quando um falha os outros acabam apagando também”, afirma. O problema da falta de segurança entre a L2 e a L3 é que a área não faz parte do campus Darcy Ribeiro. “Isso demandaria uma ação institucional conjunta entre o GDF e a UnB”, explica Silvano.
Medidas preventivas
Além da manifestação das alunas, o Conselho Comunitário de Segurança da Universidade de Brasília também se reuniu nesta sexta-feira (19) para debater medidas de prevenção de casos de violência, como foi o caso do estupro.
Todos os diretores de institutos e faculdades foram convidados a participar da reunião, que também foi aberta a estudantes, professores e funcionários técnicos. “É um conselho comunitário, a colaboração de todos é fundamental”, ressalta a professora Rachel Nunes, decana de Assuntos Comunitários e presidente do Conselho.
Carta de repúdio
A Direção do Instituto de Letras divulgou carta de repúdio à violência sexual sofrida por uma estudante, na última segunda-feira (15). O professor Enrique Huelva Unternbäumen, que assina a nota, pede que as medidas de segurança não se limitem aos espaços internos do campus.
O reitor José Geraldo de Sousa Junior manifestou solidariedade à indignação da comunidade. E prometeu buscar medidas para evitar novos casos, dentro e nas redondezas da UnB. “Para nós não interessa se foi ou não no campus. A vítima é aluna da universidade. E isso é o que nos basta para tomar providências de segurança em parceria com o GDF”, comentou o professor.