Tácio Lorran
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Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) protestaram, no início da tarde desta terça-feira (30), contra o bloqueio do Ministério da Educação (MEC) de 30% do orçamento da instituição. Em ato pacífico, eles reclamam da decisão feita pela pasta e reivindicam uma imagem melhor do governo em relação às universidades.
O movimento foi organizado pelos próprios alunos juntamente com o apoio de alguns coletivos. A ação ocorreu no Restaurante Universitário do campus Darcy Riberio; em seguida, os manifestantes foram até o Ceubinho para continuar com o protesto.
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Estudante de psicologia e membro do coletivo Juntos, Bruno Zaidan, 24 anos, afirma que o corte vai prejudicar principalmente toda a instituição. “É 30% de investimento que vai para água, luz, bolsa estudantil e todo tipo de investimento da universidade”. Porém, os mais prejudicados, segundo Bruno, “são os estudantes negros e pobres, que dependem das bolsas de permanência estudantil”, opina.
O estudante diz que o atual governo segue a ideia de atacar “moinhos de vento”. Ele acredita que o corte é baseado simplesmente na posição política-ideológica de Bolsonaro. “O problema da educação não é uma suposta ideologia que existe em todas as universidades. Na verdade, o problema da educação é a falta de investimento e de que os professores são mals pagos”.
Também presente no protesto, a estudante Daniella Sanchez, do coletivo Barulho, critica a omissão do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE) em relação ao corte de gastos. “Em nenhum momento o DCE se posiciona com relação a ação do governo, como se nada tivesse acontecido”, diz a estudante de 32 anos que faz pós em políticas públicas, infância, juventude e diversidade.

Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília 
Bruno Zaidan, 24 anos, estudante de psicologia. Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília 
Daniella Sanchez, 32 anos, membro do coletivo Barulho. Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília 
Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília
O DCE é a instância máxima de representação dos estudantes na UnB, mas tem sido alvo de críticas de alunos por certas posições políticas. Em contrapartida, a reitoria da universidade publicou uma nota em resposta a decisão anunciada hoje. A instituição afirmou não ter sido comunicada pelo MEC, mas confirmou o bloqueio orçamentário.
“A instituição está, neste momento, avaliando a situação e tem a expectativa de que o bloqueio possa ser revertido”, disse a instituição. “Importante ressaltar que a UnB é uma das universidades com reconhecida excelência acadêmica no país, atestada em rankings nacionais e internacionais. Temos nota 5, a máxima, no Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC”, pontua.
“Eu defendo a sociologia e a filosofia”
A ação realizada nesta terça já estava prevista antes mesmo do anúncio do bloqueio de verbas anunciado pelo MEC. A princípio, a intenção era protestar contra a afirmação do presidente Jair Bolsonaro feita na semana passada sobre a descentralização dos investimentos em cursos de áreas humanas, como filosofia e sociologia.
Na ocasião, o presidente parabenizou a postura do ministro da Educação em priorizar as faculdades que “geram retorno de fato”. “O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina”, escreveu o presidente, em 26 de abril, via Twitter.
Bruno Zaidan diz que a afirmação do presidente é uma farsa. Ele acredita que as áreas humanas são a base da maioria das disciplinas. “A filosofia e a sociologia são fundamentais para estimular o pensamento crítico e promover uma educação que ensine a pensar e não só a obedecer”, conclui o estudante.