Um grupo de estudantes se reuniu hoje (20), na Universidade de Brasília (UnB), em um ato de repúdio à manifestação ocorrida no campus da instituição na noite sexta-feira (17), em que estudantes foram alvo de ofensas homofóbicas e racistas. O ato de hoje ocorreu no Instituto Central de Ciência (ICC), mesmo local da manifestação de sexta.
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Nas paredes da entrada do ICC foram colados cartazes com frases como “Unidos pela liberdade de expressão”, “Abaixo o autoritarismo” e “Aqui não tem espaço para facista”. Por cerca de uma hora, estudantes, integrantes de movimentos sociais e parlamentares discursaram contra a ação de sexta, criticando o que chamaram de discurso de ódio e defendendo a liberdade de expressão e de orientação sexual.
O estudante de ciência sociais, Carlos Xavier, relatou que foi alvo das agressões de sexta-feira. Ele conta que vestia uma saia e foi chamado pelo grupo de gay de maconheiro e parasita. “Sou um cidadão como eles e também pago impostos”, disse o estudante.
O presidente da União Nacional LGBT, Andrey Lemos, discursou em solidariedade às pessoas que sofreram agressões verbais e criticou os ataques homofóbicos. “Esse discurso de ódio e intolerância tem que ser condenado, não pode ter espaço na sociedade. Temos que manter as conquistas das políticas afirmativas implementadas nos últimos anos”, disse.
O ato foi convocado por cerca de 30 centros acadêmicos da UnB. A vice-presidenta regional da União Nacional dos Estudantes (UNE), Luiza Calvette, uma das organizadoras, disse que a intenção é deixar claro que não se pode confundir liberdade de expressão com discurso de ódio. “Entendemos que nossa universidade não pode ser palco para o conservadorismo que vem crescendo. Precisamos mostrar que momentos de crise são também momentos de luta”, ressaltou.
Na noite de sexta-feira (17), estudantes da UnB foram alvo de manifestação de um grupo classificado como de “extrema direita”. De acordo com a ocorrência policial registrada por alunos da instituição e vídeo publicado nas redes sociais, cerca de 15 manifestantes entraram no Instituto Central de Ciências (ICC) da universidade com megafone e bandeiras do Brasil, gritando palavras preconceituosas contra os estudantes, com insultos racistas e homofóbicos.
Em nota, a reitoria da UnB manifestou repúdio ao protesto ocorrido na sexta-feira (17), registrando que atos de natureza agressiva serão devidamente apurados e que continuará o trabalho incessante de promoção de ações de tolerância, respeito e não violência na instituição. Segundo a reitoria, até o momento, não chegou ao conhecimento da administração superior que tenha havido agressão física no ato de sexta.
O grupo foi denunciado por dois estudantes, de 19 e 21 anos, que compareceram à 2ª Delegacia de Polícia e registraram boletim de ocorrência por injúria.