Imaginem como é a expressão de um estudante que precisou do sexto vestibular para entrar na Universidade de Brasília. Ou mesmo daquele que entrou na 4ª chamada para o curso de Física. Nem a gripe suína e muito menos o trote bem humorado tiraram a alegria dos alunos que ingressaram na Universidade de Brasília nesta segunda-feira, 17 de agosto.
Os estudantes do curso de Relações Internacionais tiveram uma surpresa no primeiro dia de aula. Os veteranos se reuniram no anfiteatro 11 do ICC para receber os calouros. A atividade era a apresentação dos novos alunos que ganharam um crachá enorme feito em folha de cartolina e amarrado por barbante. Nele, os veteranos caçoaram do nome de cada novato. Na brincadeira, os maiores de idade bebiam uma tirinha de vodka enquanto os menores bebiam leite.
“Eu esperava isso há muito tempo. Fiz seis vestibulares para conseguir entrar no curso. Pode acontecer qualquer coisa hoje, o importante é estar aqui na UnB”, disse Diego Gomes, 20 anos, calouro do IREL.
Antes tarde do que nunca
Primeira, segunda, terceira e quarta chamada. Por cerca de um mês, o estudante Waldenor Ramone, 17 anos, teve que esperar para ser chamado para o curso de Física. Depois de tanta expectativa, ele que só conhecia a universidade por excursão e pela mídia diz que entrou para estudar e que nem se importou com os créditos automáticos.
“Entrei no site do Cespe só por olhar. Já não esperava mais nada. Fiquei muito feliz quando vi que saiu a 4ª chamada e lá estava meu nome. Vim para estudar e ponto final”, afirma.
Para alguns alunos, o primeiro dia de aula não foi só alegria. Devido ao atraso de uma semana por conta da prevenção à gripe suína, veteranos da Matemática e Engenharia Mecânica viram números dobrados. Um quadro cheio de fórmulas dava boas vindas aos alunos das exatas. O estudante da Engenharia Mecânica Luís Castro, 22 anos, já esperava. “Os professores costumam dar matéria mesmo no primeiro dia. Até me acostumei. É mal da área de exatas. Fico imaginando os calouros assustados”, sorri.
Gripe não assusta
Com os corredores lotados, estudantes não parecem muitos espantados por causa do vírus H1N1. A nova gripe é sinônimo de prevenção, mas não de desespero. Segundo a estudante de Farmácia Rebeca Cavalcante, 22 anos, é bom se precaver nos espaços de aglomeração como a universidade. “É meu primeiro semestre no Campus Darcy Ribeiro, amo isso aqui. Não vai ser a gripe que vai atrapalhar minha alegria. Eu acho que as pessoas estão dando muita ênfase a essa doença, existem outras que matam do mesmo jeito ou mais. Temos que prevenir e fazer nossa parte”, afirma.
Mesmo com a fila para comprar créditos, os estudantes brincavam com o sabor da comida do RU. Os veteranos comentaram sobre a redução das filas no decorrer do semestre pelas desistências dos calouros. Já os novatos queriam provar a comida e dar a própria nota para o almoço. A dupla de amigos da Física, Mateus Andriola e Daniel Silvério chegaram cedo para evitar fila e aprovaram a refeição.
“Já esperavamos a fila, porque os calouros têm que comprar créditos. O ponto positivo foi a série de medidas de prevenção por causa da nova gripe. Agora usamos o álcool gel na hora de pegar o almoço e os bicos dos bebedouros foram retirados. Tomamos água com as nossas garrafinhas” explica Daniel.