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Brasília

Estatais cortam 5% e os clientes do DF reclamam

Arquivo Geral

05/12/2017 7h00

“A internet tem conseguido suprir a necessidade de resolver problemas nos bancos. O problema é que quando se precisa ir a uma agência elas estão sempre cheias, pois há poucos caixas”, Marcelo Vidal, militar e cliente tanto da CEF quanto do BB. Foto: Breno Esaki

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

O Governo Federal reduziu em quase 5% o quadro de funcionários das empresas estatais de todo o Brasil, alcançando 506.852 empregados no terceiro trimestre de 2017, contra pouco mais de 533 mil no ano passado. Isso se deu principalmente por meio dos Planos de Demissão Voluntária (PDV), que devem continuar até o número total de contratados das empresas ficar abaixo dos 500 mil no País, conforme pretensão do Ministério do Planejamento. Excetuando a Petrobras, a capital em que mais houve cortes é Brasília.

O foco é fazer instituições em crise financeira, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e os Correios. economizarem em pessoal para se reerguer. Conforme o Ministério, entre 2016 e o terceiro trimestre deste ano, elas desligaram 7,2 mil e 7,1 mil pessoas respectivamente. Mesmo o Banco do Brasil, uma das instituições financeiras mais importantes do País, se livrou de 2,6 mil funcionários, com o agravante de ter fechado 402 agências em todo o território nacional no início de 2017 – pelo menos 20 foram em Brasília.

Apesar desses esforços, o Governo Federal contratou 7.089 servidores a mais do que demitiu, entre janeiro e julho de 2017. Segundo a pasta, isso se explica pois existe diferenciação na compilação de dados e no regime de contrato para cada tipo de funcionário.

“O fato de haver contratação de servidores na administração direta não tem relação com a contratação ou a demissão de empregados de empresas estatais federais. Mesmo entre empresas estatais, eventual necessidade de pessoal em uma empresa não tem relação com o excesso em outra empresa”, esclarece o Planejamento.

Todas as empresas garantem que a redução de pessoal e espaços físicos não se converte em precariedade dos serviços, pois adotaram – garantem – mecanismos de otimização dos serviços oferecidos.

A aposentada Elisabeth Nogueira, 66 anos, atesta essa resposta. Cliente tanto do Banco do Brasil quanto da Caixa Econômica, ela diz que, pelo pouco que precisa tratar diretamente com um gerente ou outro funcionário, não constatou problemas nos últimos meses. “Mas acho que se reduzir ainda mais esse número de empregados, já não vai dar”, pondera.

De acordo com a aposentada, em ambos os bancos, os aplicativos de celular e o internet banking resolvem boa parte das demandas e, portanto, o atendimento tem sido satisfatório. Ela só reclama da falta de oferta e modernidade dos equipamentos disponibilizados.

Filas crescem e clientes reclamam

O militar Marcelo Vidal, 47 anos, afirma que a medida de reduzir pessoal das empresas estatais, em conjunto com a decisão dos bancos de diminuir a quantidade de agências e caixas eletrônicos pela cidade, explica as “filas absurdas” em horários incomuns que tem enfrentado. “Na agência do Banco do Brasil que eu costumo ir no Sudoeste, se você vai sábado à noite tem que esperar bastante, porque é muita gente”, reclama.

Para ele, as soluções online para os questionamentos e problemas enfrentados no dia a dia são satisfatórias, mas ainda podem melhorar. “Nesse aspecto, vejo que o aplicativo do Banco do Brasil está um patamar acima do da Caixa”, opina.

Esse tipo de feedback deve incentivar as empresas a investir cada vez mais em soluções tecnológicas que demandem menos gastos e menos pessoal. O BB, por exemplo, chamou seu PDV de Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI) e garantiu, por meio de nota, que, com as mais de 9,4 mil adesões até 21 de dezembro do ano passado, reduziu suas despesas em, R$ 2,3 bilhões.

Por exemplos bem sucedidos como esse, o Ministério do Planejamento calcula ser possível reduzir o total de empregados de estatais a menos de 500 mil ainda em 2017. Na visão da pasta, essa expectativa “decorre da tendência de redução do quadro de pessoal que ocorreudurante o ano”, da “reestruturação empresarial que várias empresas têm realizado” e, principalmente, dos “PDV autorizados e que serão finalizados em breve”.

Resta saber se, a longo prazo, a internet será capaz de absorver toda essa demanda que se acumula.

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