Carla Rodrigues
Especial para o Jornal de Brasília

Encontrar uma vaga para estacionar o carro é uma missão cada dia mais difícil na capital federal. Atualmente, o deficit chega a 40 mil. Enquanto isso, a frota atual de veículos está em mais de 1,4 milhão. Para agravar ainda mais o problema, muitas vagas públicas são apossadas ilegalmente, principalmente na área central do Plano Piloto e em Taguatinga. São cones, correntes, pequenas cercas em volta e até cavaletes nos espaços que deveriam estar à disposição de toda população. Segundo o Departamento de Trânsito (Detran-DF), a prática é uma infração gravíssima, com direito a multa que pode ser agravada em até cinco vezes.
Nos setores Comercial, Bancário, Hospitalar, de Autarquias, e de Rádio e TV, achar vagas é ainda pior. O analista de sistemas Apoena Machado, 32 anos, afirma que já esperou quase meia hora para encontrar vagas nesses locais. “Às vezes eu desisto”, confessa. Mas, para ele, nunca foi uma opção deixar as chaves dos carros com flanelinhas. Ele acha ainda que a fiscalização é falha e não atua nos principais locais. “Na Esplanada acontece muito. E eu não vejo ninguém fazer nada”, denuncia.
No Setor de Rádio e TV Sul, guardadores de carros se incumbem de gerenciar as vagas, como se fossem os próprios donos. Ali, eles são capazes até de colocar contêineres para segurar o lugar dos clientes. Cavaletes também são usados. O motorista pode negociar um valor diário pelo serviço, que gira em torno dos R$ 2.
Quem faz a fiscalização das privatizações ilegais é a Agência de Fiscalização com as administrações regionais. Contudo, em 2011, a promessa era de que a área central seria monitorada para que fosse realizado um levantamento de quantas vagas públicas foram reservadas. Mas segundo a Administração de Brasília, a pesquisa nunca chegou a ser feita.
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