Thatyane Nardelli
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Eles geralmente fazem birras e adoram brincar na rua, mas isso está mudando. O pique-esconde, amarelinha e a queimada, se distanciam do cotidiano infantil e cedem o espaço ao mundo virtual. Atualmente com todo o avanço da tecnologia, as crianças estão ficando cada vez mais descoladas e como conseqüência, informatizadas.
Diante desta realidade, pedagogos e psicólogos alertam os pais: é preciso cautela e direcionar a curiosidade para serviços que complementem no ensino dos pequenos. Além disso, é essencial ter o cuidado para que as etapas naturais de desenvolvimento das crianças não sejam substituídas pelas conquistas digitais.
Cedo
Com apenas três anos a pequena Maria Eduarda teve seu primeiro e precoce contato com o mundo tecnológico. Atenta, ela costumava observar a avó no computador. Foi então que o pai, Marcelo de Brito, começou a incentivar a menina, carinhosamente apelidada de Duda, ensinando-lhe como ligar e manusear o aparelho. “Ela gosta muito de usar, fica jogando na internet e ainda gosta de escrever no Word (ferramenta de texto)”, conta a mãe, Rochele Isaac.
Hoje aos quatro anos, Duda freqüenta as aulas de informática na escola, onde cursa o Jardim II. Ainda assim, a garota não consegue esconder a empolgação ao falar sobre as brincadeiras que mantêm com os amiguinhos na escola. “Eu adoro brincar de minhoquinha, bonecos de massinha, a gente sempre brinca depois da aula, é muito legal”, diz a pequena. É nesta tecla que o psicólogo Aderson Cunha insisti em bater, “o uso do computador tem que ser uma ferramenta que complemente o aprendizado, a criança ainda precisa exercer os hábitos da sua idade”.
Dados
A pedido da empresa de segurança na internet AVG, a pesquisadora britânica de desenvolvimento infantil, Sue Palmer, realizou um estudo com 2200 mães em 11 países. O levantamento revelou um número alarmante: 7 em cada 10 crianças entre 2 e 5 anos são bastante hábeis em jogos online, mas não conseguem amarrar os cadarços sem ajuda. É o caso de Duda. A mãe explica que ela até amarra, mas que não fica perfeitinho. “Ela começou a aprender ano passado na escolinha, mas ela ainda se atrapalha”, completa Rochele.
É interessante que essas habilidades não sejam dispensadas, muito pelo contrário, é importante que a criança use o computador. E isso não inclui apenas pesquisa, mas jogos online, bibliotecas virtuais, dentre outros. Isso incentiva a rapidez do raciocínio da criança e ainda treinam habilidades existentes. Mas, os especialistas lembram da importância de lembrar que tudo em excesso faz mal.
Se o medo de muitos pais é o descontrole com o conteúdo visualizado pelo menor na internet, proibir de usar o computador não é a melhor decisão. “Os pais devem sim sentar ao lado dos filhos na hora da interação e participar deste processo de descoberta”, afirma Patricia Peck Pinheiro, fundadora do Movimento Criança Mais Segura na Internet – www.criancamaissegura.com.br -. E para os mais desconfiados, Patricia afirma que é possível monitorar sem grandes esforços. “Os pais podem vigiar por meio de softwares de controle parental todos os passos da criança na internet”, afirma Peck.
Tam Fry, membro do Fórum Nacional de Obesidade da Inglaterra, afirma que geralmente os pais temem as brincadeiras fora de casa, e que se sentem mais seguros com os filhos na frente da TV ou do computador. Segundo Fry, “a atividade física que toda criança precisa está se tornando um território estranho”. Completando, o porta-voz da empresa AVG, que encomendou a pesquisa, Tony Anscombe acredita que os pais estão transformando celulares, computadores e videogames em babás.
Para Patrícia, o diálogo e a participação dos pais são essenciais para preservar o bem-estar das crianças na internet.
Substituição
O hábito de escrever usando o computador acabou fazendo com que muitos perdessem a habilidade de escrever à mão. E por mais que o teclado seja uma ferramenta muito útil, ainda é necessário ter uma boa caligrafia. No entanto, o que se pode observar é que o uso do teclado tem aumentando bastante nos últimos anos. Para William Aves, diretor comercial da livraria ABC, a queda do uso do caderno de caligrafia é absurda dentro do mercado. “Pra se ter uma idéia, de dez listas de material escolar, apenas quatro pedem o caderno. Enquanto isso o número de vendas dos teclados aumentou em 100%”, diz Alves.
Foram dois meses longe da caneta, só no computador. Mas, as férias acabaram. Para Antônio Júnior, de 18 anos, que entrou recém formado na faculdade, a falta de prática ajudou na piora da letra. “Minha letra sempre foi muito feia. Com a minha entrada na faculdade agora, que não vou precisar muito escrever em cadernos, minha caligrafia deve”, conta Júnior. Além disso, o jovem revela que passa no mínimo 4h por dia usando o aparelho.
Especialistas reforçam que a caligrafia é uma parte importante da personalidade do estudante, e essa geração não deve perdê-la. Assim, é bom não esquecer que a escola somente aceitará os exames preenchidos à mão, incluindo ainda, a redação dos vestibulares das universidades federais ou particulares.
Patrícia Pinheiro dá algumas orientações que os pais devem saber e passar para seus filhos, como:
– Conversar com o filho e procurar saber o que está acontecendo no âmbito virtual;
– Instalar softwares de monitoramento para saber o que o filho está fazendo na internet;
-Verificar históricos de chats, analisar as redes sociais e checar os contatos das crianças;
– Se houverem provas da existência de crimes eletrônicos os pais devem guardar as evidências;
-Encontrando problemas, os pais devem imediatamente entrar em contato um advogado especializado;
– Fazer um boletim de ocorrência, caso seja necessário.
Saiba Mais
De acordo com o estudo da AVG, 23% das crianças conseguem fazer uma ligação em um celular e 25% conseguem navegar facilmente por sites na internet. Além disso, uma em cada cinco consegue navegar na internet em smartphones e até mesmo no iPad, enquanto dois terços sabem ligar um computador e 73% delas dizem saber usar um mouse.