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Brasília

Esforços do GDF refletem na redução de mais de 95% dos casos de dengue em Brasília

Mutirões de limpeza, visitas domiciliares, monitoramento e tecnologia se unem no combate ao mosquito Aedes aegypti

Redação Jornal de Brasília

10/06/2025 15h58

Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

O Distrito Federal registrou uma queda expressiva de aproximadamente 97% nos casos prováveis de dengue entre janeiro e maio de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados estão disponíveis no Portal InfoSaúde-DF, que aponta 6.930 registros este ano, contra 266.346 no ano passado. O resultado é fruto de uma força-tarefa coordenada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), que desde janeiro de 2024 atua com 11 órgãos públicos, conforme instituído pela Portaria nº 11, de 22 de janeiro.

Entre as principais medidas adotadas estão a atualização do Plano de Contingência 2024/2025, a instalação de 2.772 ovitrampas em 22 regiões administrativas e a intensificação da aplicação de inseticidas residuais em áreas com grande circulação, como escolas, rodoviárias e estações de metrô. Além disso, foram implantadas estações disseminadoras de larvicida, com o objetivo de interromper o ciclo reprodutivo do Aedes aegypti.

Outro destaque é o painel online do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa), lançado em janeiro deste ano. A plataforma acompanha, em tempo real, as ações da Vigilância Ambiental e permite o mapeamento de áreas críticas, auxiliando no direcionamento das ações de controle.

Atuação reforçada

A mobilização contra a dengue também inclui o início das tratativas para adoção da tecnologia Wolbachia, que utiliza mosquitos infectados com a bactéria para reduzir a transmissão viral, e a nomeação de 400 novos agentes de Vigilância Ambiental. Com isso, foi possível intensificar as ações em campo, incluindo a inspeção de mais de 630 mil imóveis nos primeiros meses de 2025.

Roberta Ferreira, chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental de Vicente Pires, reforça a importância das visitas periódicas. “Os agentes têm um olhar mais clínico e podem identificar focos que o morador pode não perceber”, explica. Segundo ela, as inspeções domiciliares ocorrem a cada dois meses, sempre com coleta de água parada, aplicação de inseticida e orientações educativas.

A legislação vigente também autoriza o acesso a imóveis abandonados que representem risco à saúde pública, permitindo uma atuação mais abrangente da Vigilância Ambiental.

Limpeza urbana como aliada

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) teve papel essencial no combate à proliferação do mosquito. Desde janeiro de 2024, foram realizados 10 mutirões em parceria com administrações regionais, cobrindo 25 cidades e retirando mais de 19 mil toneladas de entulho e resíduos.

A mobilização incluiu ações educativas, distribuição de panfletos, uso de carros de som, palestras em escolas e a campanha “Cidade limpa vence a dengue; seja consciente”, que veiculou mensagens por meio de 187 caminhões de coleta. Segundo o subdiretor de Limpeza Urbana, Everaldo Araújo, mais de 6.540 toneladas de entulho descartado irregularmente foram removidas, e 24 unidades de papa-entulho receberam mais de 42 mil toneladas de resíduos.

“O descarte irregular é um dos principais agravantes da proliferação do mosquito e ainda constitui crime ambiental”, lembra Araújo. “Temos o aplicativo SLU Coleta DF, onde o cidadão pode consultar os dias da coleta e os endereços dos pontos de descarte. Não há desculpa para jogar lixo em qualquer lugar.

Esforço conjunto

As ações de combate são direcionadas semanalmente a uma região administrativa. Em Vicente Pires, por exemplo, dois mutirões foram realizados este ano, o último deles entre 27 de fevereiro e 1º de março. Na operação mais recente, 40 trabalhadores atuaram na limpeza de áreas críticas da cidade.

O administrador regional Anchieta Coimbra destaca que a localização estratégica da cidade, com alto fluxo de pessoas, exige atenção especial. “Limpeza é, antes de mais nada, saúde. E saúde é qualidade de vida”, afirma. Ele também elogia a conscientização da comunidade: “A população tem interagido de forma proativa, o que fortalece os resultados.

Conscientização nas casas

A mobilização também passa pelo engajamento dos moradores. O bombeiro militar Carlos Lacerda, de 56 anos, conta que redobrou os cuidados após sua família ser afetada pela dengue no passado. “É muito importante abrir a casa para os agentes. Às vezes, um detalhe faz toda a diferença”, diz ele.

A servidora pública Núbia Costa Gama, de 49 anos, também foi orientada durante visita dos agentes em Vicente Pires e aprendeu a trocar semanalmente a água das plantas aquáticas. “Às vezes a gente não percebe que tem foco de dengue em algum objeto, e os agentes alertam”, relata. Ela reforça que o esforço precisa ser coletivo: “Não adianta só eu cuidar da minha parte; todos os vizinhos precisam fazer o mesmo.”

Resultados e continuidade

O GDF afirma que os esforços de 2024 e 2025 continuarão de forma intensiva nos próximos meses, com foco em educação ambiental, monitoramento contínuo e reforço das ações em campo. A meta é manter os números em queda e consolidar o Distrito Federal como referência no controle de arboviroses.

Estamos mexendo com vidas”, resume Carlos Lacerda. “A dengue é realmente muito perigosa, e cada ação de prevenção pode salvar alguém.

Com informações da Agência Brasília

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