As ocorrências de picada de escorpiões estão cada vez maiores no Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF), de janeiro a setembro deste ano, 2.157 pessoas tiveram acidentes com os animais peçonhentos — que se escondem em pontos escuros das casas, debaixo de armários e camas, ou mesmo dentro de sapatos.
Em média, foram cerca de sete picadas por dia em 2024. Em comparação com o primeiro boletim emitido pela pasta este ano, quando 893 acidentes com escorpiões ocorreram de janeiro a abril, o crescimento foi de aproximadamente 13,2% nos meses seguintes. De maio a setembro, 1.116 pessoas foram picadas pelo aracnídeo. O total até o momento é 2,9% menor que o registrado em 2023.
O escorpião é o responsável pela maioria dos acidentes com animais peçonhentos no DF, principalmente o escorpião amarelo, que é o mais comum no ambiente urbano. Ainda de acordo com a SES-DF, nos primeiros quatro meses do ano, os escorpiões foram responsáveis por 83,6% dos acidentes com peçonhentos.
A chegada da chuva favorece o aparecimento de escorpiões em razão da preferência dos aracnídeos por locais úmidos e quentes, clima comum nesta época. Eles se escondem em cantos escuros de casas procurando por insetos, especialmente baratas. Por isso é importante prestar atenção para evitar acidentes.
Em segundo lugar nos acidentes com peçonhentos no DF estão as aranhas, com 4,9% dos casos, e as cobras em terceiro, sendo 3,8% deles. Abelhas, lagartas e outros tipos de animais acumularam menos de 3% dos casos.
Apesar de ser um dos mais perigosos ao ser humano, a picada dele tem três níveis de impacto: leve, moderado e grave (especialmente em crianças e idosos). No DF, ainda podem ser encontrados o escorpião preto e o de patas rajadas, mais encontrados em áreas rurais.
Uma das razões para a presença deles nas cidades é a presença de baratas, o alimento mais comum aos escorpiões. Eles também se alimentam de outros insetos e invertebrados. Porém, os predadores naturais dos escorpiões, lagartixas e algumas aranhas, não costumam aparecer com a mesma frequência que as presas dos aracnídeos, o que facilita a proliferação, principalmente em ambientes escuros e úmidos, como próximo a encanamentos e esgotos.
De acordo com Alana Barcellos, 21 anos, a presença de escorpiões foi um problema enfrentado no prédio em que reside, em Águas Claras. A complicação com os aracnídeos cresceu até o ponto em que foi necessária a intervenção com uma dedetização. Apesar de não ter visto nenhum no apartamento onde mora, boa parte dos moradores relataram encontrar o animal.
Segundo contou, além da preocupação com a própria saúde, ela também teve medo de que o cachorro Luke pudesse se machucar, uma vez que não possui o mesmo cuidado que ela. “Fiquei com muito medo de aparecer lá em casa por conta do meu cachorro. Eu estou sempre de olho, sempre vendo, mas o Luke não. Cachorro é muito curioso, então se aparece algum bicho, ele vai cheirar. E se ele chegar perto para cheirar, ele vai levar uma picada e pode ser fatal”, disse.
Quando começaram a aparecer os escorpiões no prédio em que mora, Alana fechou todos os ralos do apartamento e procurou deixar sempre algo em cima deles, a fim de evitar qualquer brecha que os animais pudessem encontrar para sair do encanamento. “Como eu moro em um andar baixo, fiquei com medo de subir algum pela janela também, mas o condomínio fez a dedetização, o que já ajudou muito”, relatou.
“Teve a dedetização aqui e apareceram muitos escorpiões. Muitos acharam [nos respectivos apartamentos] e tinham muitos lá embaixo [no primeiro piso do prédio]”, relatou. […] Quando fizeram, evitei sair com o cachorro na rua porque fiquei com medo de ter algum na rua, eu não ver e picar o cachorro”, explicou.
SAIBA MAIS
Fechar os ralos é justamente uma das recomendações feitas para evitar a presença dos aracnídeos em casa, que podem chegar pelo encanamento com rapidez;
Também é recomendado pela SES-DF examinar roupas e calçados antes de usá-los; além de manter a cama, sofás, berços afastados da parede, e manter ainda lençóis, cobertores e cortinas sem contato diretamente com o chão, para evitar que o escorpião consiga subir;
Manter o ambiente de casa limpo e sem migalhas espalhadas para evitar baratas e, consequentemente, escorpiões;
Ao manusear materiais de construção, usar luvas grossas na limpeza de jardins ou outros materiais que possam servir de abrigo a escorpiões.
Em casos de picadas, a SES recomenda lavar o local da picada com água e sabão para remover sujeira; elevar o membro afetado a fim de evitar que o veneno se espalhe mais rapidamente; e procurar atendimento médico imediatamente.
Não se deve aplicar folhas, pó de café ou terra não para não provocar infecções, não ingerir ou aplicar álcool, bebidas alcoólicas, querosene ou fumo, não fazer torniquete ou garrote, não furar, cortar, queimar, espremer ou fazer sucção no local da ferida.