Um menino de um ano e cinco meses morreu na madrugada de ontem de parada cardíaca após ter sido picado por um escorpião na creche em que ficava, na QE 19 do Guará II. O garoto brincava no parquinho da escola na tarde de terça-feira, quando teve contato com o animal peçonhento. Ele foi levado imediatamente pelos funcionários do berçário para o Hospital do Guará e transferido de helicóptero para a UTI de um hospital particular, no Lago Sul, mas não resistiu.
O enterro do menino ocorreu ontem à tarde e, apesar do sentimento de tristeza, a família garante que não culpa a creche pelo acontecido. “O pai da criança pediu para respeitarem a família e deixou bem claro que não tem nada a reclamar a respeito da creche. Estão considerando o caso como uma fatalidade, um acidente que poderia ter acontecido em qualquer lugar”, explicou uma parente próxima da criança e que veio de Palmas (TO) para o enterro.
Dedetização

A diretora do colégio, Sayonara Patrícia, afirmou que todas as medidas de limpeza e dedetização do local são tomadas continuamente. “A verdade é que tem muito escorpião nessa área, a gente faz o que pode. No ano passado chamamos o Centro de Controle de Zoonoses para tentar resolver os problemas e eles orientaram que fechássemos as entradas de esgoto. Nós mandamos colocar uma tela na boca de lobo aqui em frente e dedetizamos o local de seis em seis meses”, contou a diretora da creche.
Todos os funcionários do estabelecimento ficaram muito abalados com a situação e declararam luto. “Ele foi atendido prontamente, logo após ser picado pelo escorpião, e levado ao hospital. Ele estava bem, conversando com a gente até o horário em que saí do hospital, às 22h”, lembra Sayonara, com lágrimas nos olhos.
A Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) e o Centro de Controle de Zoonoses programam visitas a locais onde as pessoas são mais vulneráveis ao escorpião, como creches e asilo de idosos. “Além das visitas a pedido, a gente faz pelo menos uma visita programada e voltamos quando há mudança no ambiente”, explica a gerente de Vigilância de Vetores e Animais Peçonhentos, Kenia Cristina Oliveira.
Kenia esclarece, também, que no caso do escorpião não há inseticida efetivo e, às vezes, a utilização deles pode desalojar o animal que faz parte da fauna do Cerrado. “No ambiente escolar deve haver preocupação ainda maior com abrigo, água, alimento e acesso do bicho.”
A Zoonoses inspecionou o local após o acidente e achou três escorpiões amarelos, do tipo que picou o menino. A Zoonose diz que a creche cumpre todas as normas, mas que, por questão do clima e ambiente, o animal está propício a aparecer.