Soraya Sobreira
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Amanhã, primeiro dia do ano letivo na maioria das escolas públicas, muitos alunos não vão encontrar as salas de aula da forma como gostariam. Isso porque nem todas as unidades que precisavam de reparos foram contempladas. O Tribunal de Contas (TCDF) constatou, em fiscalização, que mais de 87,4% das instituições de ensino não têm estrutura física nem pedagógica compatível com as atividades. O motivo indicado pelo órgão se deve à insuficiência dos serviços de manutenção ofertados pelo governo.
Para 2013, do total de 652 escolas, 568 precisariam ser reformadas. Porém, a Secretaria de Educação (SEDF) informou ter feito melhorias em 392 unidades. Segundo a pasta, foram investidos R$ 21 milhões na aquisição de 140 mil conjuntos escolares de mesas e carteiras para educadores e alunos. Desse total, quatro mil são adaptados a alunos com deficiência.
Ao percorrer algumas escolas, o Jornal de Brasília identificou muitas unidades que apresentam problemas crônicos desde a sua criação. É o caso da Escola Classe 52, na QNM 38 de Taguatinga. Ali, 388 crianças de seis a 12 anos passam um sufoco para alcançar o aprendizado em uma escola improvisada há 23 anos. A unidade está localizada em um espaço de 700 metros quadrados, mas possui uma área abandonada com dimensão de 30 mil metros.
Promessas
Os pais se queixam do comodismo das autoridades. A cozinheira Cristiane Silva, 33 anos, viu a escola ser inaugurada como provisória e fez parte das primeiras turmas. Hoje, ela lamenta ter passado tanto tempo e a promessa da construção definitiva nunca ter sido concretizada. “Estão passando gerações e nada muda. Meu filho mais velho já estudou aqui e agora é a vez da Bruna, que está no 3º ano”, conta.
Bruna tem oito anos e fica triste com o que vê: “Não dá para brincar no parquinho porque ele fica fechado por ser muito velho”, lamenta. A mãe acredita que estas condições atrapalham a educação dos filhos.
Os problemas não param por aí. De vez em quando aparecem ratos e, se chove, surgem as goteiras nas salas. A vice-diretora da Escola Classe 52, Dalena Sumaya, conta que há poucos dias a instituição foi invadida por vândalos que quebraram as janelas e objetos dentro das salas de aula. “Mas já foram repostos os vidros e estamos pintando as salas para receber melhor os estudantes”, avisa.
Ainda há muito a ser feito
No Centro de Ensino Fundamental 17 de Taguatinga, a diretora Andréia Ferreira conta das reformas que fez na escola. Ela afirma que foram restauradas as partes elétrica e hidráulica, mas diz que falta cortar a grama e pintar os muros. Andréia revela que até então havia cinco salas de aula com risco de curto-circuito. Na unidade havia muitas cadeiras em péssimo estado, além de buracos e infiltrações no teto. “Nós reformamos 1.120 cadeiras e pintamos as salas de aula, além de comprar alguns móveis”.
Os problemas não se restringem às cidades mais distantes. Os 508 alunos do Centro de Ensino Fundamental da 104 Norte devem esperar até a próxima segunda-feira para começar o ano letivo. A escola está em reforma a passos lentos e conta até com ajuda do Exército. “Uma senhora da comunidade solicitou a ajuda ao ver a nossa situação”, explica a vice-diretora Carin Helena Ferreira.
Sem água
Há mais de um ano, a caixa d’água da unidade apresenta infiltrações, e hoje a escola está sem água. “Os problemas não param por aí. A fiação não sustenta o uso de ventiladores, e no tempo de calor muitos alunos passam mal. O teto da unidade é de zinco, e o jeito é dar aula no pátio”, descreve.
A dona de casa Aline Galvão, 31 anos, afirma que o filho já encontrou cabelo e até uma barata na merenda. “Não só ele reclama, mas outros colegas. Os alunos da rede pública são tratados com diferenças”, acredita.
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