Elaine Siqueira
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A chegada das fortes chuvas alerta a Defesa Civil para o surgimento de erosões por todo o DF. As mais críticas estão localizadas no Condomínio Privê, no Setor O, no Condomínio Porto Rico, em Santa Maria, assim como na segunda maior favela do Brasil, o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia. Aproximadamente 90 casas podem ser interditadas nestes locais e os moradores correm o risco de ficar sem teto.
Um caso recentemente registrado é o da erosão identificada pela Defesa Civil a apenas 4,70 metros das margens da da Avenida Elmo Serejo – mais conhecida como Via Estádio – em Taguatinga. O enorme buraco fica a apenas 2,35 metros de um poste da rede elétrica e das estruturas de concreto que sustentam os pilares por onde passa o metrô. A pista pode ser interditada e é monitorada diariamente.
Algumas marcações foram feitas com estacas no chão para saber o quanto a erosão está progredindo. Segundo o subsecretário de operações da Defesa Civil, Coronel Sérgio Bezerra, é provável que duas das três faixas da pista sejam interditadas para que seja feito um aterramento no local.
A erosão iniciou de um lado da pista e está evoluindo por debaixo da terra. “Assim como os passageiros do metrô, os motoristas estão correndo risco, pois o local possui um grande fluxo de veículos”, alertou o coronel.
Ação emergencial
De acordo com o diretor de urbanização da Novacap, Erinaldo Pereira Sales, o órgão fará uma ação emergencial para recuperação da área. Ele explicou que no local será feita uma manutenção de drenagem das bocas de lobo para que não provoquem uma super carga nas pistas quando entupidas.
Para realizar os reparos, a Novacap pretende agir de forma ágil e rápida para evitar grandes engarrafamentos. O local é um dos trajetos mais utilizados por quem trafega pela Estrada Parque Taguatinga (EPTG). “Nossa maior preocupação é evitar que o terreno se desestabilize e venha a desmoronar”, afirma Erinaldo Sales.
Erosões como esta existem há mais de cinco anos e outras têm até 15 metros de profundidade. A própria população, que reside nas proximidades, transforma esses espaço em lugar para o despejo de chassis de carro, sofás, televisões e até armários de madeira. Segundo informações do secretário adjunto da Secretaria de Obras, Maurício Canovas, o órgão está ciente da situação e algumas medidas já estão sendo tomadas. “O risco iminente próximo às casas já foi controlado”, informou.
Qaunto à erosão existente no Condomínio Privê, no Setor O, aguarda licitação do Programa Águas do DF para que seja iniciada a recuperação da área degradada. “O local já está estabilizado e totalmente cercado para que maiores acidentes aconteçam”, explica Maurício.
Vida às margens das crateras
Trabalhando há 12 anos como caseiro em uma residência, no Condomínio Privê, em Santa Maria, Gesivaldo da Silva Guedes diz que, junto com outros moradores, já fez inúmeros pedidos às autoridades para que a área seja revista com maior cuidado e que medidas sejam tomadas com mais rapidez. “Coloquei uma cerca de arame farpado para impedir que as pessoas cheguem perto do buraco e joguem lixo”, disse.
A moradora e comerciante do Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, Raimunda da Cunha Vieira contou que a erosão próxima a sua residência já engoliu dois postes da rede de energia, e que o lugar oferece riscos às crianças que brincam por perto. “Já melhorou muito. Os aterramentos são feitos com mais frequência, mas, mesmo assim, estamos arriscando nossas vidas, pois não temos para onde ir”, disse.
Uma das mais novas erosões, mas não menos preocupante. é a do Condomínio Porto Rico, em Santa Maria. Moradora do local há mais de três anos, a líder comunitária Francisca Zélia diz que o buraco tomou conta da única passagem que eles tinham como acesso às quadras próximas aos comércios. “Agora, temos que fazer um percurso maior por conta desse problema”, diz.
Servindo como uma espécie de ponte, a porta de uma geladeira é utilizada para fazer a travessia da erosão. “Aqui, as crianças não sabem o que é brincar na rua. Temos que ficar de olho sempre”, explicou Francisca.
A líder comunitária informou também que os moradores já recorreram à Administração Regional de Santa Maria, inclusive à Associação de Moradores do Condomínio Porto Rico e nunca obtiveram respostas sobre a questão. Enquanto isso, a Agência de Fiscalização do DF (Agefis) notificou os moradores três vezes por estarem morando em área de risco. “Sabemos dos ricos que corremos, mas se sairmos daqui vamos morar onde? Não temos respaldo de ninguém”, disse Francisca.
Uma outra moradora do Privê, Maria Gonzaga, 60 anos, lamenta. “Sentimos medo o tempo todo. Ficamos à mercê dos órgãos responsáveis e podemos perder nossa casa. Para onde iremos?”
COMO SE PREVENIR DOS RISCO
Evitar os cortes verticais do talude (terra);
Evitar a plantação de bananeiras (planta pesada e de raiz superficial) nas encostas, dando preferência às plantas mais leves e de raízes profundas, como o bambu;
Não jogar lixo nas encostas, córregos e bocas de lobo;
Construir calhas nos telhados, conservando-os limpos;
Construir canaletas no chão para direcionar a água;
Manter limpos os ralos, esgotos, galerias, valas, etc;
Aterrar buracos que acumulam água;
Reforçar muros e paredes poucos confiáveis;
Providenciar a poda ou o corte de árvores com risco de queda sempre procurando orientações da administração regional;
Incentivar a criação de grupos de cooperação entre os moradores em locais de risco.
Ponto de Vista
De acordo com a professora de Geomorfologia Roselir de Oliveira Nascimento, as erosões são problemas naturais, também afetados por moradores que agem de maneira incoerente. “Observamos que falta um planejamento para os terrenos que acabam ficando instáveis. Assim como, as galerias pluviais estão ficando ocupadas de tanta sujeira. De acordo com a professora, é muito oneroso recuperar áreas como estas das erosões. “Para se fazer a recuperação, leva-se muito tempo. E esse tempo acaba sendo paralisando com a chegada das chuvas ou outras ocasiões climáticas”, explica.