Entre bandeiras, uniformes, veículos militares e aviões cruzando o céu, famílias ocuparam a Esplanada dos Ministérios nesta segunda-feira (7) para acompanhar o tradicional desfile cívico-militar da Independência. Cerca de 70 mil pessoas passaram pelo evento, segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Para muitos pais, mais do que assistir às apresentações, levar os filhos ao local foi uma forma de transformar a história ensinada na escola em uma experiência de cidadania.
O desfile começou às 9h e terminou por volta das 11h20, com a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. A cerimônia teve como tema “Soberania – A força que une o Brasil” e foi dividida em três eixos: soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada pelo Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanhou a programação ao lado da primeira-dama, Janja Lula da Silva. Também estiveram presentes os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin; do Senado, Davi Alcolumbre; e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além de ministros e outras autoridades.
História vivida de perto

Para a estudante Stella Lopes, de 13 anos, o retorno ao desfile representou a retomada de um costume da família. Ela já havia acompanhado outras edições, mas ficou algum tempo sem comparecer à celebração.
“Voltar a vivenciar a política de perto, suas causas e consequências, é muito importante para a formação do cidadão”, afirmou. Entre as atrações, Stella contou que gosta especialmente das apresentações dos bombeiros, dos desfiles das escolas e dos aviões.
O pai da adolescente, Kelven Lopes, consultor de turismo de pesca, acredita que a presença das crianças em eventos cívicos pode ajudá-las a compreender, desde cedo, as responsabilidades que fazem parte da vida em sociedade.
“Neste momento político conturbado, é importante trazer as crianças para entender, participar e vivenciar. Assim, elas podem desenvolver capacidade de discernimento e fazer escolhas melhores no futuro”, explicou.
A família costuma frequentar as comemorações do 7 de Setembro e voltou à Esplanada movida pelo que Kelven define como civismo. “É uma tentativa de fazer com que elas tenham cada vez mais amor pelo Brasil”, completou.
A mesma intenção levou Daniel Matheus Sousa, servidor do Ministério Público, a acompanhar o desfile com as crianças. Para ele, a experiência ajuda a aproximar o conteúdo visto nos livros da realidade.

“É um momento cívico em que relembramos a Independência do Brasil. Isso faz parte do conteúdo de história que eles estudam na escola e também ensina o respeito aos símbolos nacionais, como a bandeira”, disse.
Expectativa e frustração
Apesar da empolgação, parte do público encontrou dificuldades para acompanhar as apresentações. O acesso à área do desfile foi feito por cinco pontos de entrada, com revista pessoal, e as arquibancadas ficaram lotadas. Grades instaladas ao longo do percurso também limitaram a visão de quem permaneceu fora do espaço reservado.
Kelven relatou que a situação foi frustrante, sobretudo por estar acompanhado dos filhos. “Cria-se um imaginário na cabeça das crianças, a gente vem até aqui e acaba impedido de ver. No fim das contas, fica a sensação de que não é um momento tão aberto ao povo”, avaliou.
Daniel também comparou a estrutura deste ano com a de edições anteriores, quando, segundo ele, era possível acompanhar parte do desfile a partir do gramado.
“A gente colocava o menino no ombro e conseguia ver as crianças desfilando e os veículos passando. Foi frustrante chegar empolgado e não conseguir entrar porque o acesso estava limitado”, afirmou.
Ainda assim, entre os que conseguiram um lugar nas arquibancadas ou encontraram um ponto com alguma visibilidade, o clima foi de celebração. Crianças apontavam para os aviões, famílias registravam as apresentações com os celulares e o verde e amarelo aparecia em roupas, bandeiras e acessórios espalhados pela Esplanada.
Uma tradição nacional
Celebrado em todo o país, o 7 de Setembro relembra a declaração da Independência do Brasil, ocorrida em 1822. O episódio, associado ao chamado Grito do Ipiranga, marcou o rompimento político com Portugal e o início da organização do Brasil como nação independente.
Ao longo do tempo, a data passou a integrar a memória coletiva do país e a ser celebrada com cerimônias públicas, apresentações de escolas, instituições civis e integrantes das Forças Armadas. Em Brasília, o desfile na Esplanada dos Ministérios tornou-se uma das principais comemorações do calendário cívico nacional.
Mais de dois séculos depois da Independência, a tradição continua despertando curiosidade entre os mais novos. Para famílias como as de Stella, Kelven e Daniel, estar diante dos aviões, das bandas e dos símbolos nacionais é também uma maneira de mostrar às crianças que a história não precisa permanecer apenas nas páginas dos livros: pode ser vista, ouvida e vivida de perto.