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Brasília

Entrave complica retorno das atividades na Escola de Música

Arquivo Geral

26/02/2015 8h00

A aulas ainda não voltaram na Escola de Música de Brasília (CEP- EMB) e, desta vez, não tem nada a  ver com a paralisação dos professores. Direção e docentes divergem sobre o sistema de montagem de turmas. Segundo os educadores, a diretoria optou por alterar o método atual – sem consultá-los e desconsiderando estudos sobre o tema. O diretor se defende e diz que está apenas seguindo uma determinação da Secretaria de Educação. Até que o problema seja resolvido – decisão adiada para a próxima segunda-feira –, os alunos ficarão sem aula. Somados a isso estão problemas estruturais, um número reduzido de instrumentos musicais e a falta de manutenção dos equipamentos.  

De acordo com os docentes, a mudança na formação das turmas implicaria em mais alunos nas salas, de diferentes idades e níveis escolares. Isso prejudicaria o processo de ensino, além de forçá-los a aderir a um modelo de aula (grupal) ao qual nem todos se adaptam. 

Após tentativas frustradas de negociação com o diretor da escola técnica, Ayrton Pisco, o conselho escolar se reuniu e votou pela anulação da mudança. Diante disso, o poder de decisão foi transferido à Coordenação Regional de Ensino (CRE).  

“Jogada”

Na tarde de ontem, porém, a CRE encaminhou um comunicado à escola. O documento suspende a modulação das turmas até segunda-feira. “Os alunos é que pagarão por isso. Um dos argumentos da Coordenação Regional é que alguns professores teriam aderido à paralisação, o que impactou nas negociações. Mas nenhum educador participou do movimento, estamos todos os dias na escola, isso é uma jogada política”, acredita Oswaldo Amorim, representante da comissão de professores à frente das negociações com a CRE.  

Amorim acredita que o   diretor está se sentindo pressionado pela Secretaria de Educação. “No entanto,  ele deveria ter exposto a situação ao conselho para encontrarmos uma solução juntos. Não podia ter deixado para nos comunicar isso na véspera da volta às aulas”, reclama.

Segundo ele, um estudo que aponta a viabilidade do sistema de turmas atual foi entregue ao diretor em outubro  passado. “Ele deveria ter defendido nossa proposta junto a CRE até o dia 20 de janeiro. Não sabemos por que não fez isso. Ademais, vive dizendo que está sendo cobrado em relação à mudança na montagem das turmas, mas nunca apresenta documentos que comprovem isso”, afirma Amorim.

Versão Oficial

Procurada, a Secretaria de Educação  informou que “o processo de elaboração de turmas do   CEP-EMB será discutido em reunião ainda nesta semana, com representantes da Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto/Cruzeiro, da Subsecretaria de Educação Básica e um grupo de professores que representam a unidade escolar”.

Questionada sobre a possibilidade de professores participarem de processos seletivos na EMB, a Coordenação de Educação Profissional da SEDF explicou que “os editais para realização de processos seletivos na escola não possuem cláusula que impeça a participação de professores”.

Já sobre a possibilidade de os candidatos serem avaliados tecnicamente por seus colegas, durante os processos seletivos, a pasta informou apenas que “o sorteio é realizado de forma transparente e os contemplados são avaliados de acordo com o curso requerido, por uma comissão da própria unidade escolar”. E ressaltou: “Denúncias que contrariem o interesse da comunidade e integrantes da escola podem ser avaliadas”. 

 
Docentes desaprovam proposta
 
Kátia de Andrade, professora de violino,  enfatiza que o semestre letivo está atrasado em função do impasse. Segundo ela, não adianta formar turmas maiores. “As aulas têm apenas uma hora e há poucos instrumentos. Além disso, é quase impossível ensinar um aluno de dez anos e outro de 40 ao mesmo tempo. Nossa escola tem especificidades que precisam ser respeitadas”, argumenta. 
 
A professora de clarineta e ex- aluna da CEP-EMB, Taís Vilar, 31, lembra que turmas individuais estão previstas no plano de ensino. “O prejuízo pedagógico em turmas muito cheias é certo”, explica. 
 
Raphael Aragão, 22, é aluno de harpa. Ele estuda na escola desde 2008 e conta que a situação piora a cada gestão. “A Escola de Música  já foi mundialmente reconhecida e por problemas administrativos perdeu o prestígio”, lamenta.
 
Ele também discorda da mudança na montagem de turmas. “Nas salas não cabem sequer dois arpistas com seus instrumentos gigantes”, observa.  
 
 MANUTENÇÃO
 
Raphael reclama da manutenção dos instrumentos. “Harpas não são fabricadas no Brasil e custam R$ 28 mil mais impostos para importar. Como são caras, usamos as da escola. Acontece que as cordas se desgastam e  precisam ser trocadas pelo menos uma vez ao ano. Já que a diretoria não paga um jogo de cordas novo, de R$ 900, eu e outros colegas arcamos sozinhos com os custos da manutenção há oito anos”, conta.
 
Segundo o aluno, a compra de instrumentos  também fica só na promessa: “Só ouvimos falar”.
Em meio a reclamações diversas, outro estudante levanta uma questão: a seleção para a escola. Ele diz que no certame do qual participou havia como candidata uma professora da EMB, avaliada pelos próprios colegas. O estudante considerou a situação como antiética.
 
Saiba Mais
 
A Escola de Música surgiu com dois grupos. O primeiro  em Taguatinga, em 1961, e o segundo em Brasília, em 1962, com o Centro de Estudos Musicais Villa-Lobos (CEMVL). 
 
O maestro Levino Alcântara organizou um fórum composto por professores da rede pública que tentavam criar uma escola para ser o núcleo do ensino musical profissionalizante.  Formava-se, então, o embrião da Escola de Música de Brasília. 

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