A aulas ainda não voltaram na Escola de Música de Brasília (CEP- EMB) e, desta vez, não tem nada a ver com a paralisação dos professores. Direção e docentes divergem sobre o sistema de montagem de turmas. Segundo os educadores, a diretoria optou por alterar o método atual – sem consultá-los e desconsiderando estudos sobre o tema. O diretor se defende e diz que está apenas seguindo uma determinação da Secretaria de Educação. Até que o problema seja resolvido – decisão adiada para a próxima segunda-feira –, os alunos ficarão sem aula. Somados a isso estão problemas estruturais, um número reduzido de instrumentos musicais e a falta de manutenção dos equipamentos.
De acordo com os docentes, a mudança na formação das turmas implicaria em mais alunos nas salas, de diferentes idades e níveis escolares. Isso prejudicaria o processo de ensino, além de forçá-los a aderir a um modelo de aula (grupal) ao qual nem todos se adaptam.
Após tentativas frustradas de negociação com o diretor da escola técnica, Ayrton Pisco, o conselho escolar se reuniu e votou pela anulação da mudança. Diante disso, o poder de decisão foi transferido à Coordenação Regional de Ensino (CRE).
“Jogada”
Na tarde de ontem, porém, a CRE encaminhou um comunicado à escola. O documento suspende a modulação das turmas até segunda-feira. “Os alunos é que pagarão por isso. Um dos argumentos da Coordenação Regional é que alguns professores teriam aderido à paralisação, o que impactou nas negociações. Mas nenhum educador participou do movimento, estamos todos os dias na escola, isso é uma jogada política”, acredita Oswaldo Amorim, representante da comissão de professores à frente das negociações com a CRE.
Amorim acredita que o diretor está se sentindo pressionado pela Secretaria de Educação. “No entanto, ele deveria ter exposto a situação ao conselho para encontrarmos uma solução juntos. Não podia ter deixado para nos comunicar isso na véspera da volta às aulas”, reclama.
Segundo ele, um estudo que aponta a viabilidade do sistema de turmas atual foi entregue ao diretor em outubro passado. “Ele deveria ter defendido nossa proposta junto a CRE até o dia 20 de janeiro. Não sabemos por que não fez isso. Ademais, vive dizendo que está sendo cobrado em relação à mudança na montagem das turmas, mas nunca apresenta documentos que comprovem isso”, afirma Amorim.
Versão Oficial
Procurada, a Secretaria de Educação informou que “o processo de elaboração de turmas do CEP-EMB será discutido em reunião ainda nesta semana, com representantes da Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto/Cruzeiro, da Subsecretaria de Educação Básica e um grupo de professores que representam a unidade escolar”.
Questionada sobre a possibilidade de professores participarem de processos seletivos na EMB, a Coordenação de Educação Profissional da SEDF explicou que “os editais para realização de processos seletivos na escola não possuem cláusula que impeça a participação de professores”.
Já sobre a possibilidade de os candidatos serem avaliados tecnicamente por seus colegas, durante os processos seletivos, a pasta informou apenas que “o sorteio é realizado de forma transparente e os contemplados são avaliados de acordo com o curso requerido, por uma comissão da própria unidade escolar”. E ressaltou: “Denúncias que contrariem o interesse da comunidade e integrantes da escola podem ser avaliadas”.
Docentes desaprovam proposta