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Brasília

Enterro de Fernanda Grasielly é marcado por revolta da família

Arquivo Geral

03/03/2013 11h07

 

“Vai com Deus”. Estas foram as últimas palavras da mãe da vendedora Fernanda Grasielly. A jovem foi assassinada com três facadas no pescoço pelo ex-marido no shopping onde trabalhava. Mais de 100 pessoas, entre amigos e familiares, foram ao enterro, na tarde de ontem, no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga. No local, o sentimento era de revolta.

 

“Há uns 15 dias, fomos à delegacia para fazer uma denúncia porque o Victor foi à academia dela ameaçá-la. Lá, nos disseram que esse era um problema de família e nós que deveríamos resolver”, contou a mãe da jovem, Gislene Almeida, 48 anos. Revoltada, ela disse ainda que espera mais ação da Justiça brasileira em casos de agressão doméstica. 

 

“Minha filha mostrou as mensagens que ele mandava ao delegado. Ele sempre escrevia para ela: ‘voltei para aterrorizar’. Olha aí o resultado disso”, desabafou Gislene.

 

Entre lágrimas e silêncio, muitos familiares da vítima recusaram-se a falar. Fernanda era a segunda filha entre quatro irmãos. Amigos da jovem afirmaram que ela era alegre, educada e dedicada a tudo o que fazia. “O que Victor fez é uma monstruosidade. E ele não é o primeiro. Todo dia uma jovem morre vítima de namorados, maridos”, afirmou a tia de Fernanda, Socorro Lima, 45 anos.  

 

Victor foi preso em flagrante. De acordo com testemunhas, a motivação do ataque seria o fim do relacionamento. Fernanda e ele viveram  relações conturbadas, entre términos e reconciliações. Ciumento e agressivo, ele não aceitava o afastamento de Fernanda. Se condenado pelo homicídio duplamente qualificado, pode pegar de 12 a 30 anos de prisão. No ataque, a jovem não teve chance de se defender.

 

Tragédia anunciada

Segundo familiares, Fernanda já havia feito duas queixas contra o ex-marido. Em uma das vezes, a mãe de Victor pediu para que a jovem retirasse. E foi atendida. 

 

“Ela disse que não queria visitar o filho na cadeia. Nesse dia, Fernanda ponderou que, caso ele continuasse assim, a mãe dela que iria vê-la num caixão”, contou a tia da vítima.

 

 

“Fernanda era pai e mãe”

 

A jovem morava em Santa Maria com o filho de quatro anos do casal. A tia  cuidava da criança para Fernanda poder trabalhar. “Ela era uma ótima mãe. Na verdade, ela era pai e mãe”, disse Socorro.

A criança, afirmaram familiares, não entende direito o que está acontecendo. “Nosso esforço é para que ele não sofra tanto. Mas ele disse que sabe o que o pai fez”, relatou uma das primas da vítima, Claudiane Santana, 29 anos.

 

Apelo

Inconformada, a jovem fez um apelo: “Se existe uma lei para tratar da violência contra a mulher, peço aos policiais que tomem alguma atitude quando uma mulher tiver coragem de ir à delegacia denunciar.”

 

Ontem, a loja em que a moça trabalhava fechou as portas em sinal de luto.

 

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