A 45 dias do Carnaval, shop a situação do bloco carnavalesco Galinho de Brasília ainda está indefinida. A organização do bloco insiste em desfilar em seu ponto tradicional, physician na comercial da 203/204 Sul, store mas o Ministério Público e a Empresa Brasiliense de Turismo (BrasíliaTur) querem mudar a festa de endereço. Uma reunião foi marcada para a próxima segunda-feira para decidir o futuro do bloco.
Fundado há 17 anos, o Galinho de Brasília desfila pela quadra comercial da Asa Sul desde o primeiro ano. Apesar de já ter se tornado uma tradição da cidade, a população das superquadras adjacentes se divide em relação à manutenção do bloco no local. De um lado, estão aqueles que participam do grupo e se divertem. Do outro, estão os que reclamam do barulho, da sujeira e, até, de roubos de carros, e defendem o direito de descansar no feriado.
Romildo de Carvalho Júnior, organizador e fundador do bloco de frevo, diz entender que algumas pessoas não gostem do Galinho. “É perfeitamente normal, mas o Brasil é o país do Carnaval e o frevo é patrimônio da cultura brasileira”, enfatiza ele. Romildo lembra que o desfile dura apenas dois dias por ano. “Quem não gosta, pode passar o dia na casa de um parente”, sugere.
Mas nem todos pensam assim. Morador da 203 Sul, o servidor público Lander de Miranda Bossois aponta que o evento incomoda alguns moradores. “Eu respeito a questão cultural, mas acho que seria mais interessante se fosse para outro lugar”, diz ele, afirmando que a maioria dos moradores apóia a mudança de endereço do Galinho.
Problemas no trânsito
Apesar das divergências, com uma coisa todos concordam. O caos que o desfile provoca no trânsito local. A economista Rosane Maia mora na 203 Sul e frequenta o Galinho, mas reconhece que a questão é polêmica na quadra. Segundo ela, a maior reclamação dos moradores está relacionada ao trânsito, já que a quadra fica muito cheia de carros.
Ainda assim, Rosane é favorável ao desfile na comercial. “Acho necessário que fique aqui. O desfile movimenta a quadra”, opina. Em defesa da permanência do bloco no local, Romildo de Carvalho diz que o desfile acontece em área comercial, e não residencial.
O organizador defende também que se trabalhe junto à Polícia Militar para minimizar os incômodos dos moradores das quadras. “Nós sempre fomos parceiros da PM, e sempre tivemos um Carnaval tranquilo”, declara Romildo.
No entanto, tranquilidade foi justamente o que não se viu no carnaval do ano passado. Na noite de 4 de fevereiro, uma grande confusão se instalou na comercial da 203/204 Sul, quando a polícia tentou liberar o trânsito por volta das 20 horas. Parte do público se recusou a deixar o local e reagiu, jogando garrafas e pedras nas viaturas da PM.
Cerca de 2 mil pessoas estavam presentes no local quando os reforços policiais chegaram, utilizando gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha para dispersar o público. O saldo final do tumulto foram dois foliões e três policiais feridos, dois carros da polícia depredados e a incerteza sobre a permanência do bloco carnavalesco no endereço.
O analista de sistemas Alan Herbert mora há um ano na 203 Sul e nunca participou do desfile do Galinho, mas diz que a confusão do ano passado assustou muitos de seus vizinhos. Rosane Maia também não gostou do tumulto. “Achei um absurdo a repressão. Todo Carnaval vou com minha família e nunca teve nada”.