Eles mudaram, mas sem perder a antiga essência. Pequenos empresários de Brasília mantêm suas lojas apesar do poder das novas tecnologias. Com criatividade e boas promoções, driblam as recorrentes mudanças no mercado e atraem cada vez mais clientes. O que antes era apenas uma banca de jornal na 108 Sul, por exemplo, agora é um espaço multiuso. Tem lan house, filmes em DVD, potes de geleia e até uma roleta da sorte para os consumidores que pagam em dinheiro vivo. Quer mais? Pode apostar, você encontra.
Proprietário da banca, seu Lourival Marques, de 77 anos, conta que é um visionário e, por isso, não tem medo das novas tecnologias. “Sou um dos poucos sobreviventes da era do DVDs. Tivemos que nos reinventar. Antes, alugávamos VHS. Agora, são DVDs, mas não com preço comum. Temos promoções e aniversariantes não pagam por sete dias de locação. Isso vai atraindo as pessoas, ganhando os clientes. Não dá para se manter sem agradar a clientela”, conta o empresário.
A banca de revista foi inaugurada em 1960, lembra. “Comecei com um caixote na rua até erguer o meu espaço. E dei sorte. O aluguel aqui não é caro. Hoje, pago R$ 460 por mês. Isso me ajudou muito a manter a banca. Outras pessoas pagam preços absurdos aqui no Plano Piloto. Isso derruba os comércios”, avalia o senhor de cabelos brancos, que prefere não comentar os lucros do espaço. Apenas diz: “Cuido do meu negócio”. E acrescenta: “Cuido com carinho, com gentileza, alegria e boa educação”.
Modernidade
Hoje, além dos produtos encontrados nas bancas de jornal, revistas e locadoras, há o acesso em PDF pela internet dos diários e semanais, e os chamados streamings – sites que oferecem downloads de filmes e livros. Mesmo a Blockbuster, considerada a maior empresa de locação mundial, já se rendeu ao mundo virtual e fechou muitas de suas lojas físicas. Além disso, as TVs também lançaram serviços competitivos no mercado, que oferecem desde clássicos do cinema até séries recém-lançadas.
Simpatia incluída no serviço
Diante das opções que a tecnologia oferece, é preciso investir na criatividade e na simpatia na hora de conquistar clientes. E parece que o bom humor do seu Lourival Marques realmente atrai pessoas. A maioria dos fregueses da banca da 108 Sul já entra no espaço com um sorriso no rosto. “Bom dia, seu Lourival”, dizem. Rapidamente, o senhor responde, sempre com alguma rima na ponta da língua.
“Meu irmão e minha mãe vêm aqui há mais de 20 anos. Acabou se tornando uma espécie de tradição. Eu não assino TV a cabo, então é uma mão na roda vir aqui, porque meu filho adora”, ressalta o biólogo Leonardo Brilhante, de 37 anos.
Ele e o filho, Bernardo, 10, estavam na banca para escolher filmes e acabaram levando também uma revista. Tudo por menos de R$ 40. “Não tenho o costume de ir ao cinema, pois acho caro. É meio absurdo pagar R$ 30 por uma sessão de duas horas. Não faço isso. Então, venho aqui, pego aqueles recém-lançados e levo para casa. Assisto no conforto e dá tudo certo no final”, conclui.
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