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Brasília

Empresários do Setor Comercial Sul não trabalham em paz, veja motivos

Arquivo Geral

16/07/2013 8h35

Imagine só ter de trabalhar, diariamente,  com medo das pessoas que passam por perto do seu local de trabalho. Essa é a rotina dos comerciantes do Setor Comercial Sul (SCS). Ali, a presença de usuários de drogas é certa.  Temendo roubos e furtos, os empresários   preferem baixar as portas mais cedo ou até se mudar. Em cerca de dois anos, aproximadamente 90 lojas do setor deixaram de funcionar, fora as salas comerciais. O motivo é a vulnerabilidade diante da falta segurança.

 

O levantamento é da Associação Comercial do DF (ACDF), que também estima um possível deficit na economia local. Apenas o comércio do SCS movimenta 45% do Produto Interno Bruto (PIB) do Distrito Federal.

 

Nem mesmo a presença de um posto comunitário da Polícia Militar   ameniza a sensação de insegurança. São quatro militares por turno, mas, para quem trabalha ali, a existência do policiamento fixo é   indiferente, uma vez que faltaria, na verdade,   patrulhamento.

 

A 50 metros do posto comunitário é possível se deparar com um cenário que assusta: são pessoas consumindo e vendendo drogas sem nenhum pudor, moradores de rua que se submetem a sexo explícito em plena luz do dia.

 

Há a suspeita de que os   usuários de drogas, a maioria moradores de rua, sejam os responsáveis pela prática de assaltos e furtos.  Há três semanas o alvo foi o restaurante de um casal. Por volta das 16h de uma sexta-feira, um homem foi ao estabelecimento e, armado, anunciou o assalto.

 

“O ladrão estava   encapuzado e deixou somente os olhos de fora. Ele me pegou pelo pescoço, me puxou pelo cabelo e me arrastou. Ele gritava para que passássemos todo o dinheiro. Fui ameaçada  com uma arma na barriga e na cabeça”, conta a mulher.

 

 

A gritaria chamou atenção do marido dela, que estava na cozinha. Os homens se enfrentaram e a mulher aproveitou a oportunidade para descer as escadas e pedir ajuda. “Ele conseguiu sair correndo, mas os outros colegas foram atrás dele e conseguiram segurá-lo. O homem soltou a arma e percebemos que a pistola era de plástico. Achamos que ele nos mataria. O Setor Comercial está um local horroroso”, lamenta o dono do restaurante.

 

Comerciante  da área há 15 anos, o casal destaca que nos últimos três anos a criminalidade na região só aumentou. “Isso aqui piorou demais. Estamos sendo atacados a todo instante. São mais de 50 usuários de crack e outras drogas que   saem para cometer assaltos. Os policiais do postinho não dão conta de combater a criminalidade”, desabafa a mulher.

 

Não há mais sossego

 

Dona de um box na Galeria Central do SCS, R.    teve o depósito onde guarda  roupas arrombado.  O prejuízo superou  os R$ 30 mil. “Cheguei às 6h e vi tudo revirado. Eles levaram todas as mercadorias. Depois vi as roupas com alguns usuários de droga lá embaixo, no local que é conhecido como ‘buraco do rato’. Procurei pelos policiais do posto e eles disseram que não poderiam fazer nada e que eu tinha de procurar a delegacia”, relata.

 

R. conta que nos dias anteriores a mesma calça que ela vendia por R$ 60 estava sendo ofertada por uma usuária de droga a R$ 20. Comerciante do local há 25 anos, ela diz que a presença de clientes diminuiu. “Não recuperei nenhuma peça que foi roubada. Tive   que investir em   segurança, instalei alarmes, coloquei mais cadeados e reforcei as grades. A gente fica preso e eles soltos.  O centro de Brasília acabou, ninguém mais vem comprar porque não tem coragem de andar por aqui. A polícia não faz nada. Então para que serve esse posto da PM?”, indaga.

 

O comerciante André Luis da Silva, 43 anos, foi assaltado pela última vez na sexta-feira passada.  Para ele, o governo já não consegue mais resolver o problema da criminalidade no centro de Brasília. “Isso aqui a polícia não resolve nunca mais. Perdi as contas de quantas vezes fui roubado. O nosso sossego acabou. É um sofrimento redobrado com as ameaças e intimidações dos suspeitos que rondam a região”.

 

Outros setores

 

Muito além do SCS, o medo toma conta também dos setores  Comercial Norte (SCN),   Hoteleiro,   Bancário   e   de Rádio e Televisão. O presidente da ACDF, Cleber Pires,   recebe reclamações de comerciantes por escrito, verbais e telefônicas. 

 

“A situação na área central   é de pânico. Os pedidos que recebemos são de socorro. As condições são de abandono e descaso. Os locais estão totalmente degradados. Grandes empresas estão indo embora”, diz.

 

Segundo Pires, a maioria dos proprietários de estabelecimentos assaltados não registra mais ocorrência, desacreditados de que isso possa resolver o problema.

 

Autoridades prometem medidas

 

Há um mês Cleber Pires se reuniu com o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, com o comandante-geral da PMDF, coronel Jooziel Freire, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), líderes comunitários e comerciantes. “Nada aconteceu depois desse encontro. Simplesmente a situação se agrava a cada dia”, aponta.

 

Apesar dos indícios de assaltos e furtos constatados pelos comerciantes, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que até o primeiro semestre deste ano não houve ocorrências de roubo a comércio no SCS. Segundo a pasta, até junho foram registrados 30 furtos em estabelecimentos comerciais. As demais ocorrências são relativas a 12 roubos diversos, quatro roubos de veículos e um caso de restrição de liberdade.

 

O subchefe da Comunicação Social da Polícia Militar, major Adriano Meirelles, explica que a corporação já trabalha com a ostensividade, mas o emprego maior do policiamento é voltado para áreas com  incidência de crimes mais alta e, por isso, o registro da ocorrência por parte dos comerciantes se faz necessário. Segundo o policial, as reclamações dos comerciantes sobre o posto comunitário no SCS já foram demandadas ao batalhão responsável.  “As circunstâncias serão avaliadas para que se tomem as devidas providências”, ressalta.

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