Ana Paula Andreolla
ana.fernandes@jornaldebrasilia.com.br
Assassinatos, queima de arquivo, compra de testemunhas. Suspeito de ter um histórico recheado com esses e outros crimes, um dos maiores empresários do País, Constantino de Oliveira, conhecido como Nenê Constantino, será interrogado hoje, em audiência no Fórum de Taguatinga, no inquérito que investiga a morte do líder comunitário Márcio Leonardo Brito, assassinado na garagem da Viação Pioneira, de propriedade do empresário, em 2001.
Desde que o inquérito foi transferido para a Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), os policiais conseguiram desmascarar um plano da defesa de Constantino, que tentaria incriminar o ex-genro do empresário, Eduardo Queiroz Alves, e um suposto capanga, conhecido como “Padim”, que morreu de problemas no fígado.
Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), os policiais teriam identificado o suposto plano da defesa de Constantino ao analisar escutas de telefonemas entre ele e seu homem de confiança, Vanderlei Batista Silva. Desde que os policiais ouviram menções de que a dupla pretendia incriminar Eduardo e “Padim” pela morte de Márcio, várias testemunhas começaram a prestar depoimentos desconfiando de que “Padim” seria o assassino.
Entre as testemunhas está uma psicóloga que trabalha para o GDF, M.S., que teria dito à polícia que, na época em que trabalhava para a empresa de Constantino, atendia “Padim” para tentar resolver seu problema de alcoolismo. Numa das sessões, porém, a psicóloga relatou que “Padim” teria lhe confessado ter matado o líder comunitário. A polícia acabou descobrindo que M.S. não trabalhava mais na empresa após o crime, e a psicóloga está indiciada por falso testemunho.
relatos falsos
Uma outra testemunha que teria sido comprada é a cobradora G., ex-mulher de “Padim”. Assim como as outras testemunhas que prestaram depoimento na Corvida desconfiando de “Padim”, G. prestou depoimento acompanhada de um advogado que teria sido contratado por Constantino, e relatou à polícia que seu ex-marido havia lhe confessado ter matado Márcio.
Depois de ser alertada que poderia responder por falso testemunho, G. pediu para que o advogado se retirasse da sala e então prestou novo depoimento, dizendo que mentiu em troca de uma casa oferecida por Vítor Foresti, genro de Constantino, que chegou a ser preso em dezembro de 2010 como suspeito de comprar testemunhas.
O pistoleiro João Marques dos Santos, que, ao ser pego pela polícia, acabou delatando Nenê, seu homem de confiança e mais uma pessoa, além de si próprio, por terem arquitetado a morte do líder comunitário.
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