Daniel Cardozo
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Responsáveis por ajudar os clientes a embalar as compras, os empacotadores ocupam um posto de trabalho cada vez mais escasso nos supermercados do Distrito Federal. A lei, porém, exige a presença destes funcionários nos estabelecimentos. Enquanto os consumidores reclamam da ausência destes profissionais, os comerciantes afirmam que é inviável manter tantos funcionários para essa função. A violação da lei pode render punição e multa.
A equipe do Jornal de Brasília passou por cinco supermercados e em apenas dois a Norma Regulamentadora 17, do Ministério do Trabalho – que exige a presença de um empacotador a cada três caixas – estava sendo cumprida. Nos dois hipermercados visitados pela reportagem, não havia empregados colocando produtos em sacolas. Entre os mercados médios, dois possuíam o número exigido pelo Ministério do Trabalho, e outro não contava com nenhum ensacador.
Justificativas
Para a Associação dos Supermercados de Brasília (Asbra), uma série de fatores torna o cumprimento da NR 17 inviável para muitos lojistas. “A rotatividade é alta nos supermercados, então estamos sempre à procura de funcionários e nem sempre podemos dar continuidade ao trabalho. Existem mercados pequenos que cumprem a norma, mas nem para todos é viável colocar um empacotador a cada três caixas, por conta dos custos”, argumenta o vice-presidente de Relações com Entidade e Imprensa, Arílton Rocha.
Ele completa: “Outros problemas como transporte público, chuva, faltas e folgas também atrapalham os mercados nessa norma”.
No caso de deficientes, idosos e gestantes, segundo o representante da Asbra, a assistência costuma ser prestada e vai além: “Muitas vezes os funcionários levam as compras até o carro, por entenderem a situação do cliente”, assegura.
Por outro lado, a Asbra alega que cabe à entidade apenas orientar os associados e depende deles o cumprimento de normas. “Estamos preparando um levantamento com o grande número de regras os supermercados precisam seguir”.
Serviço que agiliza as compras
E, se não há pessoal para a função, os consumidores acabam fazendo as vezes de empacotador. “Aqui nesse hipermercado não tem, mas perto da minha casa eu sempre encontro. Acredito que para idosos e quem tem deficiência é difícil fazer esse tipo de coisa”, avalia a professora Marildênia Batista.
O aposentado Edmar Costa foi a um supermercado com a esposa, Maria Helena, e reparou a ausência destes profissionais. “Nós é que somos os empacotadores. Os supermercados não tomam providências para ajudar a gente”, reclama.
Há também quem tenha tido a sorte de ter as mercadorias embaladas, mas a facilidade não é cotidiana. “Fazia anos que não empacotavam as minhas compras. Dessa vez, tinha no meu caixa. Fica mais rápido fazer compras assim”, disse o coreógrafo Wesley Messias.
Denúncias
Segundo o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Comerciários, Juscelino Alves, os trabalhadores devem denunciar o descumprimento da lei. “Só podemos agir quando somos avisados sobre esse tipo de prática”, adverte.
O Ministério do Trabalho pode punir quem desrespeitar a norma. É aplicada multa administrativa ao dono do estabelecimento, cujo valor não está especificado na lei.