A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) exibe, até domingo (7), na 33ª edição da Expoabra, uma maquete em tamanho real de um entreposto de ovos. A iniciativa, localizada no Parque de Exposições Granja do Torto, tem como objetivo demonstrar, de forma prática, a estrutura exigida pela legislação sanitária para a comercialização de ovos.
O projeto busca orientar os produtores, já que a venda de ovos de forma improvisada não é mais permitida. Em parceria com órgãos fiscalizadores, a Emater-DF desenvolveu plantas pré-aprovadas para pequenas agroindústrias, facilitando a formalização da atividade.
Segundo o técnico em agroindústria Paulo Álvares, a demanda por ovos no Brasil tem crescido significativamente nos últimos anos, tanto em volume quanto em tecnologia utilizada. “Não é mais possível comercializar ovos diretamente do ninho para o mercado sem atender aos requisitos sanitários. O desafio é que muitos produtores ainda desconhecem como deve ser um entreposto adequado”, explica.
Lei e investimento
A legislação determina que produtores com até 999 aves podem destinar a produção ao consumo próprio. A partir de mil aves, é obrigatória a estrutura para comercialização, com limite de 3.600 ovos por dia, equivalente a cerca de 4 mil aves. O investimento estimado para construir um entreposto de ovos é de até R$ 60 mil, mas pode ser reduzido em até 60% caso o produtor utilize materiais mais simples.
Paulo Álvares destaca que a planta apresentada permite iniciar com uma estrutura compacta e expandir até quatro vezes a capacidade sem precisar reconstruir. Com 3.600 ovos/dia, o produtor pode alcançar cerca de 180 mil ovos por ano, valor suficiente para praticamente quitar o investimento inicial já no primeiro ano.
Além disso, o entreposto pode atender não apenas a um produtor, mas a uma comunidade inteira, processando a produção local e fortalecendo o desenvolvimento regional.
Modelo acessível e prático
A maquete em tamanho real evidencia a simplicidade da operação. Equipamentos básicos, como bancadas, pias, lixeiras, pallets, bandejas de coleta e ovoscópio, garantem a manipulação adequada dos ovos. O entreposto inclui ainda salas de recepção, manipulação, classificação, armazenamento e expedição, sempre com atenção à higiene, barreira sanitária e lavagem de mãos.
O zootecnista Ricardo Magalhães ressalta que o projeto transforma a legislação em algo palpável e acessível. “Ao visitar a estrutura, muitos produtores se surpreendem ao perceber que montar um entreposto não é tão complicado como imaginavam. A construção pode ser financiada por linhas de crédito específicas, facilitando a transição da informalidade para a legalidade”, afirma.
O apoio da Emater-DF acompanha todo o ciclo de produção, desde a chegada das pintainhas ou frangos de corte até a comercialização dos ovos, garantindo manejo adequado, fiscalização e qualidade. A iniciativa valoriza a agricultura familiar, com foco no bem-estar animal e na produção de ovos em sistemas mais sustentáveis.
com informações da Agência Brasília