Do balcão da panificadora onde é sócio-proprietário, Nilson Biangulo, de 33 anos, já presenciou muita coisa. O comerciante da CSB 6 de Taguatinga Sul garante ter visto três roubos de veículo e ter sido, ele próprio, vítima de assalto. “Praticamente toda semana vejo um crime acontecer aqui”, conta.
“No último sábado, uma moça chegou para estacionar aqui umas 15h. Três camaradas armados abordaram a jovem, pegaram a bolsa e fugiram levando o carro”, relata.
A violência preocupa a comunidade da CSB 6. “Tenho convencido os comerciantes a fazer a própria proteção. Sugeri que ‘eletrocutem’ a porta por dentro e coloquem barras de ferro em frente às lojas. Câmeras não intimidam mais”, diz a comerciante e líder comunitária Marta Lima, 50 anos. Ela calcula já ter gastado, entre mão de obra e equipamentos, mais de R$ 10 mil para reforçar a segurança.
Ano passado, um adolescente teria entrado em sua loja por volta das 6h e tentado assaltá-la. “Peguei ele pelo pescoço e ele se mandou. Nós sabemos quem são os vagabundos dessa área e, muitas vezes, eles são filhos dos moradores das redondezas. Aí um é filho de militar, enquanto o outro é ligado a não sei quem. Acaba que ninguém é preso, sabe?”, reclama.
Ela diz já ter sido ameaçada de morte pelo filho de um morador do prédio onde mora, na própria quadra. “Ele passa e coloca a mão na arma que guarda no bolso da calça. Já fez isso até na frente do meu marido”.
Polícia reconhece problema
O tenente-coronel Hojas, do 2ª Batalhão da PM de Taguatinga, diz que a região de Taguatinga Sul, de maneira geral, tem muita incidência de roubo, furto, uso e tráfico de drogas. “Montamos uma força-tarefa há 70 dias justamente em resposta a essa situação e temos tido resultados satisfatórios”, afirma.
Segundo Hojas, desde o início da força-tarefa já foram 149 ocorrências registradas, 17 armas de fogo apreendidas e 34 pessoas detidas, dentre elas, 28 menores. “Temos limitações de pessoal, pois ficamos muito tempo sem concurso público. Mas com o que nós temos, procuramos fazer o melhor”, diz.
Ele classifica crimes como o presenciado por Nilson no último sábado como “de oportunidade”. “É impossível estar em todos os lugares, mas na medida do possível temos atendido os chamados. Entre quarta e hoje (ontem), recolhemos três armas. O trabalho, porém, não é só da polícia. Alguns ladrões são pegos sabendo que vão ser soltos e até dizem para nós que ‘não vai dar em nada, tio’”, desabafa Hojas.
Comércio faz alerta por meio de campanha
A Associação Comercial do DF (ACDF) lança, hoje, a campanha Segurança no Comércio, voltada justamente à proteção de empresários e empreendedores. Uma cartilha com dicas de segurança da Polícia Militar será disponibilizada e a expectativa do presidente da associação, Cléber Pires, é de que propostas efetivas sejam apresentadas.
“Espero muitíssimo, em nome do setor produtivo, que esse encontro seja o momento para que homens do bem façam anúncios de ações concretas. Temos que ter a sensação de que a polícia está nas ruas, e de maneira enérgica”, diz Cléber.
Ele acredita que é preciso iniciar uma política pública de algum lugar, independentemente de ele ser considerado “agitado” ou mais “tranquilo”.
“Um policial pode fazer mais do que tem feito se estiver motivado. De repente, com esse chamamento, eles darão a resposta que esperamos e teremos paz”, acredita o presidente da ACDF.
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