Os brasilienses também se cansaram dos preços abusivos praticados pelo comércio. A exemplo do que aconteceu no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, os moradores da capital decidiram colocar nas redes sociais os valores surreais cobrados por algumas empresas. Páginas lançada no Facebook divulga, com a ajuda de seguidores, os produtos e serviços com custos fora da realidade.
Com mais de 30 mil curtidas, a comunidade sugerem aos consumidores o boicote aos estabelecimentos que praticam os preços surreais.
A página, chamada Brasília $urreal, indica a impressão da nota $urreal para que os consumidores entreguem nos comércios com valores acima do esperado. “Achou algum preço $urreal??? Escreva na notinha a sua insatisfação e coloque na pastinha da conta, entregue para o garçom, gerente ou para o próprio dono do estabelecimento e nos envie fotos. Assim, indicamos aos estabelecimentos as nossas insatisfações e damos oportunidade para os comerciantes melhorarem seus negócios”, explica a publicação.
Mudança de hábito
Muitos usuários da rede publicam fotos, inclusive, das notas fiscais depois de consumirem os produtos. O motivo? Esqueceram de conferir o cardápio na entrada e indignam-se com os valores na hora de pagar. “A Luísa Braga foi a uma confeitaria da 412 Sul comer um salgado e avisa: ‘encostei no balcão e pedi um risole de camarão. Na hora de pagar, pensei: deve ser uns 5 ou 6 reais, porque aqui é um pouco caro. Para a minha surpresa, foram 12 $urreais’”, diz um dos posts.
Um dos criadores da página, Christian Dantas, 39 anos, conta que as principais reclamações dos seguidores concentram-se em produtos alimentícios. Ele destaca ainda que muitos usuários começaram a mudar seus hábitos de consumo depois de curtirem a página. “Tinha muita gente que não conferia os preços quando chegava nos restaurantes, por exemplo, e hoje faz isso. As pessoas estão cansadas”, diz.
Saiba Mais
Além de divulgar os preços abusivos, as páginas também indicam locais com valores mais econômicos. Para participar da ideia, fotografe a conta, o cardápio, a faixa de rua, outdoor, placa, dê um print screen e envie para as comunidades.
Nas ruas, a realidade
Basta sair do mundo on-line e ir às ruas para conferir os preços fora do normal. Em uma rede de supermercados voltada à classe A, um pacote de café de marca nacional chega a custar R$ 22. A consumidora do estabelecimento reclama: “É um absurdo. Eu moro em Londres boa parte do ano e garanto que Brasília está mais cara do que lá. E isso que Londres é conhecida por ser uma das cidades mais caras do mundo”, critica Serrait Harrop, 40 anos. A empresária diz que chegava a pagar, no máximo, R$ 60 pelos mesmos produtos que encontra aqui por R$ 100.
Perto dali, no Cruzeiro, um consumidor reclama do preço de outro supermercado. “Está ficando quase impossível comprar por aqui. Mas a gente fica meio refém dessa situação. Eu não vou para longe comprar porque não compensa, entende?”, explica o empresário Wilson José da Silva, 38 anos.
O presidente da Federação do Comércio do DF (Fecomércio), Adelmir Santana, diz que apoia a proposta das páginas no Facebook. “Todos esses movimentos são vitais para que as pessoas entendam a ganância do Estado. Digo isso porque por trás dos preços tem uma quantidade altíssima de taxas tributárias”, explica.
Taxas abusivas
“Infelizmente, a formação de preços no Brasil incluiu taxas abusivas de impostos, reincidentes, inclusive”, salienta Adelmir.
Pense nisso
É fato que ninguém é obrigado a comprar um item em determinado local, mas estamos chegando a um ponto em que nos sentimos quase encurralados, com a falta de opções por preços mais em conta. Por isso, iniciativas como essas são importantes: mostram ao mercado que quem manda é o consumidor.