
O hotel abandonado, Torre Palace, no Setor Hoteleiro Norte, voltou a ser notícia na tarde desta terça (3). Por volta das 13h30, os ocupantes do prédio atearam fogo em pneus e pedaços de madeira no terraço do edifício. Em meio a gritos de “preciso de moradia” e “moradia já”, integrantes do Movimento de Resistência Popular (MRP) protestam contra a derrubada do edifício.
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Ocupantes do hotel Torre Palace fazem protesto no Eixo Monumental
Helicópteros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros sobrevoaram o local e identificaram que o fogo é controlado pelos próprios manifestantes.
A polícia informou que, inicialmente, a intenção dos ocupantes seria interditar a via N1 do Eixo Monumental, por volta das 5h da manhã de hoje, local onde passaria a Tocha Olímpica. Porém, com a alteração do trajeto do símbolo, os manifestantes atearam fogo no edifício para chamar a atenção do Governo do Distrito Federal (GDF) e de equipes de segurança. Eles ainda esperam a passagem para que possam atrapalhar o evento que se encerrará na Torre de TV. “Enquanto houver Olimpíada e não moradia, vamos atrapalhar e interditar as vias, sim”, completou uma das moradoras, que não quis se identificar.
Por volta das 17h, parte dos ocupantes faziam um panelaço no térreo do hotel e soltaram fogos de artifício. “Nós queremos um posicionamento do Rodrigo Rollemberg, que já nos enganou mais de uma vez, dizendo que iria providenciar nossa moradia e, até hoje, não tivemos retorno”, conta um dos organizadores do MRP, José Pereira.
Segundo informações de José, no prédio, há cerca de 220 famílias morando no Torre Palace e, a partir desta terça (3), outras famílias iriam se abrigar no prédio. “Outras pessoas estão chegando, e nós vamos deixar eles se abrigarem de braços abertos”, completa.
A expectativa, não somente dos organizadores, mas das famílias que invadiram o local, é a de que o GDF se comova com a situação e forneça moradia no valor de dois a três salários mínimos. “Não queremos residência doada, mas queremos pagar um montante que esteja em nosso orçamento”, diz Arlete, outra moradora.
Todas essas manifestações, panelaços e badernas preocupam, também, os gerentes e proprietários de um hotel vizinho. De acordo com um dos gerentes, que não quis se identificar, a ocupação vem sendo prejudicada com toda a situação. “Nossa ocupação caiu muito com a invasão desses moradores. Temos medo de se revoltarem e jogarem objetos contra o nosso hotel”, contou.
Viaturas da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Detran estão no local e acompanham a movimentação.
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Hotel na mira da Justiça
O Hotel é protagonista de diversas batalhas judicias. Em uma das últimas decisões sobre os rumos do edifício, a juíza Mara Silda Nunes de Almeida, da Oitava Vara da Fazenda Pública do DF, deu 20 dias para que os proprietários do Torre Palace Hotel esvaziem o edifício, abandonado desde 2013.
Atualmente, o local é apontado como um dos principais pontos de drogas no DF e local de acomodação de sem-teto. Além do pedido liminar, na ação ajuizada em 17 de março, a PGDF solicitou também que os proprietários do Torre Palace sejam condenados a promover a demolição do prédio no prazo de 60 dias.