Moradores de Águas Claras reclamam da falta de segurança e denunciam que a criminalidade está crescendo na cidade. Dados da Secretaria de Segurança confirmam que o número de furtos em veículos na região aumentou 43% de janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Somente nos cinco primeiros meses do ano, foram registradas 617 ocorrências, contra 430 em 2014.
A comerciante Maria Cláudia Coimbra, 53 anos, relata que estacionou o carro em frente ao prédio onde mora e possui dois estabelecimentos. Quando voltou, encontrou o veículo com os quatro pneus esvaziados. O som foi levado. Além desse episódio, ela foi vítima de assalto a poucos metros de casa. Na ocasião, os criminosos queriam roubar o carro.
“É muita indignação. Não tem nada que pague a nossa paz. Estou pensando em me desfazer dos negócios nessa área. Não estou mais aguentando a situação”, desabafa.
O vendedor Leonardo Osti Reis, 29 anos, conta que não tem presenciado a ação da polícia nas ruas. “Estamos desprotegidos. A concentração de veículos é grande e muitos ficam fora da garagem. O que tento fazer é não deixar objetos de valor dentro do carro”, afirma.
Fuga da violência
O comerciante Washington de Oliveira, 50 anos, se mudou da Asa Sul para Águas Claras na tentativa de garantir melhor qualidade de vida para a família: “Viemos tentando escapar da violência. Acontece que está pior. Depois das 22h é que não vemos policiais mesmo”, relata.
Carlos Eduardo da Costa, 29, tem uma filha recém-nascida e conta que foi orientado por um amigo a não deixar a cadeirinha do bebê no carro: “Meu amigo me falou que até isso estão roubando”, explica.
Para a empresária Célia Regina, 45, a sensação é de insegurança: “Dá medo. Os bandidos furtam com muita habilidade. Fazem a limpa e fogem sem serem pegos”.
Versão oficial
A PMDF informou haver uma migração dos crimes violentos para furtos em interior de veículos na região devido à “sensação de impunidade e à grande quantidade de carros em locais ermos”. “A falta de garagens faz com que as pessoas estacionem em locais inapropriados, escuros e sem vigilância. A PMDF criou um grupamento tático específico para o problema. Esse grupamento prendeu um grupo na semana retrasada, que tinha realizado diversos furtos no local. Aliás, era a quadrilha mais procurada”, declarou.