As autoridades da área de segurança pública estão preocupadas com a quantidades de armas de fogo circulando livremente pelas ruas da cidade, there as quais elevam o número de ocorrências de assassinatos, price de crimes relacionados ao tráfico de drogas e de roubos. No ano passado, as polícias Civil e Militar apreenderam cerca de 3,9 mil armas no Distrito Federal. Para se ter uma idéia do que significa esse número: em todo o país, o Serviço Nacional de Armas (Senarm) contabilizou a apreensão de aproximadamente 12,5 mil artefatos em 2008.
Levantamento da Polícia Federal revela que mais de 2,7 mil armas foram cadastradas ou tiveram o registro feito pela primeira vez durante a campanha de desarmamento da instituição, encerrada no último dia 31. A estimativa é da Delegacia de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas. Os proprietários dos artefatos tiveram cinco anos para fazer o registro.
A Polícia Federal estima que, diariamente, 53 novas armas sejam registradas pelos brasilienses. O número significa uma média de duas novas armas a cada 60 minutos. Só no período de janeiro a julho de 2008, 9.906 pistolas e revólveres aumentaram o número de armamentos em circulação.
Os dados de 2007 refletem a mesma tendência dos números do ano passado e revelam que parte dos moradores da cidade está se armando cada vez mais. Nos seis primeiros meses do ano passado, a Polícia Federal registrou 16.077 armas, contra 21.734 em todo o ano de 2007.
A polícia estima que existam aproximadamente 10 milhões de armas circulando pelo país. Na capital da República, o número de apreensões justifica a preocupação das autoridades da segurança pública. As polícias Militar e Civil estão se mobilizando e realizando blitze constantemente, para combater o porte ilegal.
Apreensões em Ceilândia
Do total de 2.572 armas apreendidas em 2007, Ceilândia foi a cidade onde ocorreu o maior número de apreensões, com 379 artefatos encontrados com delinquentes. O delegado-chefe da 15ª DP, Adval Cardoso de Matos, afirma que isso ocorre principalmente pelo número de habitantes da cidade. “Também não podemos negar que a maioria (das armas) são encontradas com criminosos considerados de alta periculosidade”, afirma ele.
Samambaia teve 247 apreensões de armamentos em 2007, enquanto Taguatinga registrou 191.
Na opinião do delegado Onofre de Moraes, chefe da 32ª DP (Samambaia), armas significam aumento da criminalidade, além de não representar segurança para quem não sabe usá-las. Afinal, quando o criminoso sabe que a pessoa tem uma arma em casa, se interessa em roubá-lo. “Assim como a droga, a arma representa aumento da violência”, afirma Onofre.
Drogas aumentam os riscos
Para o especialista em Segurança Pública da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Testa, os números das apreensões de armas têm relação direta com as ações policiais, normalmente realizadas naquelas regiões consideradas como as mais violentas. Testa lembra que, somadas ao álcool e às drogas ilícitas, as armas resultam em situações de risco para a ocorrência de crimes.
Por isso, o especialista enumera a “Lei Seca”, o policiamento ostensivo e a urbanização das regiões mais violentas como ações fundamentais para o combate à criminalidade, e enfatiza que pessoas autorizadas a portar armas não devem deixá-las carregadas para evitar tragédias como as ocorridas recentemente no Riacho Fundo e em Ceilândia, onde dois meninos foram mortos por disparos acidentais realizados por outros garotos. “O proprietário tem de ter muito cuidado para que casos como estes não se repitam”, afirma.
Seis assassinatos
A preocupação é compartilhada pelo delegado Victor Dan, de Santa Maria. Apesar de Ceilândia, Samambaia e Taguatinga serem as cidades com maior número de apreensões de armas pelas polícias Militar e Civil no ano passado, a situação passou a preocupar também o delegado-assistente da 33ª DP. Até porque, nos primeiros dias deste ano, foram registrados seis assassinatos e sete tentativas naquela cidade.
As operações realizadas pela polícia para combater os índices de criminalidade resultaram na apreensão de 14 armas e na prisão de nove pessoas. A maioria dos artefatos eram revólveres calibre 38. Mas havia também pistolas, uma carabina calibre 44 e uma espingarda calibre 12, além de diferentes munições.
Com apenas um dos detidos, a polícia encontrou três armas (a carabina, a espingarda e uma pistola com numeração raspada). O delegado diz que a maioria das armas apreendidas é usada no tráfico de drogas, em homicídios e em roubos.
Segundo Dan, como a campanha do desarmamento acabou no último dia 31 e, nos primeiros dias deste ano, houve um acréscimo nos números de morte e tentativas, foi necessária a mobilização policial para combater a violência.