Por Gabriel de Sousa
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A partir de hoje, a quarta dose da vacina contra o coronavírus estará sendo aplicada em todos os brasilienses que forem maiores de 40 anos e que receberam o primeiro reforço há pelo menos quatro meses. Enquanto isso, ainda na espera por novas ampliações das faixas etárias, os jovens ainda esperam com muita ansiedade por uma nova oportunidade para comparecer aos postos de saúde do DF.
Até ontem, 232.060 pessoas já receberam a quarta dose da vacina na capital federal. No dia 31 de março, a etapa começou a ser disponibilizada no dia 1º de abril, na época sendo ofertada apenas para maiores de 80 anos de idade. Foram necessários dois meses e meio para a fase chegar até os que possuem 40 a 49 anos.
Com o atual período de crescimento de casos e da taxa de transmissão da covid, o desejo dos jovens é obter ainda mais segurança ante à doença, já que muitas pessoas próximas estão se infectando a cada dia.
De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), nos últimos sete dias, 3.815 jovens de 20 a 29 anos foram infectados com o coronavírus. Na faixa etária de 11 a 19 anos, 3.815 ficaram doentes. Felizmente, nenhum óbito pela covid foi registrado em ambas as parcelas da população brasiliense.
Jovens querem proteger suas famílias
A estudante de filosofia na Universidade de Brasília (UnB), Marília Silva, de 21 anos, conta que teme se infectar nas suas aulas, já que além de diversos alunos, 14 dos 36 professores do seu departamento acadêmico estão doentes, fazendo com que a universitária tema uma contaminação.
“Não me sinto segura porque eu não vejo só os professores sendo afastados, eu vejo alunos deixando de ir para a aula por estarem com febre e suspeita de covid, fazendo exame confirmando a doença. Se eu recebesse a quarta dose, eu me sentiria um pouquinho mais protegida”, conta a estudante.
Moradora de Planaltina, a jovem conta que com a nova onda de casos confirmados, teme que os seus familiares se infectem por conta da sua rotina. Com a quarta dose em seu braço, a segurança da sua casa estaria então mais fortalecida. “Os casos estão aumentando e é bom que a gente tenha mais um reforço. […] Essa já é a segunda semana que eu vou para a faculdade [de forma presencial], pego quatro ônibus por dia e todos estão lotados, então não tem como ter um distanciamento”, explica Silva.
O sentimento de buscar ter uma maior segurança familiar também é compartilhado pelo estudante de engenharia de redes, Samuel de Oliveira, 23 anos, que conta que aguarda mais a quarta dose para proteger os seus pais do que o seu próprio bem-estar. “É querer poder retornar para casa com um sentimento de segurança de não poder infectar os mais velhos com o vírus, além das pessoas que eu interajo e tudo mais”, relata.
Samuel, que diz estar aguardando ansiosamente pela sua oportunidade de se vacinar mais uma vez, destaca que apenas conseguiu receber três doses de um imunizante contra a covid graças ao trabalho dos universitários e da ciência como um todo: “As vacinas são importantes. Tudo que eu posso dizer sobre as vacinas, as pesquisas e os resultados já falam por si só. Eu aguardo muito pelo dia em que as pessoas não irão duvidar da eficácia delas”, afirma.
Somente a vacina não basta
Já a estudante de jornalismo Andrezza Correia, 23, reflete que além da ampliação da quarta dose, outras medidas sanitárias devem ser protocoladas para que ela se sinta mais segura. “Não estou 100% segura [com as três doses], só vou me sentir mais segura quando os casos ficarem amenos e o uso de máscara voltar a ser obrigatório. Enquanto isso não acontece, eu tento me resguardar como posso”, explica.
Para Andrezza, a quarta dose para os jovens é de suma importância, visto que as rotinas escolares e universitárias voltaram a ser realizadas de forma presencial. Além disso, a estudante observa que os grandes eventos não cobram o uso obrigatório de máscaras, o que reforça a importância do reforço desta parcela da população brasiliense.
“É muito importante, já que estamos em período de aulas, com muitos eventos de forma presencial. Ainda mais que o uso de máscaras é opcional, então acredito que minimamente quem está lidando com muitas pessoas deve já estar vacinado, para que não agrave o quadro caso seja contaminado”, comenta a universitária.
Adolescentes também esperam pela oportunidade
A quarta dose da vacina contra a covid também está sendo aguardada pelos adolescentes da capital. Estes, somente puderam receber a terceira dose no último dia 30 de maio, quando o Governo do Distrito Federal (GDF) permitiu que a faixa etária entre 12 e 17 anos pudesse ter a sua imunização reforçada nos postos de saúde.
Desde então, os adolescentes esperam ansiosamente pela oportunidade de outra dosagem. Estudante de uma escola pública de Planaltina, Gabrielle das Neves, 17, diz que a nova aplicação diminuiria os riscos de infecção que enfrenta em sua rotina. “Querendo ou não, a gente fica muito exposto à covid, porque a gente fica cinco horas em sala de aula, e não é o tempo todo que a gente consegue ficar de máscara”, observa.
A adolescente reflete que no senso comum dos seus colegas de sala de aula, muitos acreditam que apenas três doses são suficientes para a proteção contra a covid. Porém, Gabrielle afirma que não concorda com esse pensamento, e diz que deseja receber todas as etapas que forem oferecidas pela Secretaria de Saúde: “Se vier mais doses para mim, melhor”.