A decisão da Corte Arbitral do Esporte, que rejeitou a apelação feita por 68 atletas russos, contra a suspensão de seu país dos Jogos Olímpicos Rio 2016 certamente provocará uma avalanche de protestos pelo planeta. De acordo com o órgão máximo do esporte internacional, última instância para aqueles que se sentem prejudicados por decisões tomadas pelas federações internacionais, pela Fifa e, claro, pelo Comitê Olímpico Internacional, agora não tem mais volta: se algum atleta russo quiser competir no Rio deverá solicitar ao COI a autorização para disputar a Olimpíada “de forma neutra”, ou seja, “sem bandeira”, “sem nação”. Complicado isso, afinal de contas não estamos falando de um país em guerra civil, com problemas políticos com o exterior, que esteja querendo boicotar a competição. Falamos de uma nação com passado forte no esporte – e presente, claro.
A declaração da bela Yelena Isinbayeva, de que a decisão da CAS teria “enterrado o atletismo” só não é tão forte quanto a frase que completou a revolta: “Isso é puramente político”. Quem conhece Isinbayeva e sabe de seu entusiasmo pelo atletismo, tem ideia de quanto deve estar doendo o fato de não poder tentar, na Cidade Maravilhosa, seu terceiro ouro olímpico. E, neste momento, não adianta sequer discutir a questão “ela pode competir como avulsa” porque Isinbayeva, longe de qualquer ato político, já disse, lá atrás, que é russa e quer competir sob a bandeira de seu país. É um sonho dela. É um direito dela. Quem que conhece algum atleta campeão já não ouviu sobre a emoção de ver a bandeira tremular no ponto mais alto, enquanto é tocado o hino nacional de seu país?
A atitude destes 68 atletas, que foram até onde podiam para poder competir, parece ser uma resposta – política, também – àqueles que afirmam ser a Rússia uma fábrica de atletas dopados. Quem, se não estivesse 100% limpo, iria até as chamadas “últimas consequências” se tivesse a possibilidade de ser pego e punido? Seria ao menos incoerente buscar “direitos” se há a possibilidade de passar vergonha, não é mesmo? É claro que todos os amantes do esporte querem que ele seja disputado de forma honesta, leal, livre de agentes externos que possam corromper resultados. Que se punam os infratores, sempre, mas partir do princípio de que todos os atletas de um determinado país participam do esquema é afirmar, por exemplo, que numa família de ladrões ninguém pode ser honesto.
Como escrevi, vários protestos deverão acontecer até os Jogos. A Rússia divulgou sua relação de participantes da Olimpíada do Rio, com mais de 300 nomes, mesmo sabendo que além do atletismo todos os demais esportes podem ser vetados – há esta proposta da WADA, agência de controle antidoping. Alguns protestos, infelizmente, serão quase protocolares, afinal de contas, sem Isinbayeva, por exemplo, algumas atletas do salto com vara podem começar a sonhar com uma medalha. E o ser humano tem muito isso de pensar antes de mais nada em si mesmo, depois em si, depois também e, finalmente, em si de novo. É um tremendo abacaxi para ser descascado. Vamos ver qual será o último capítulo da novela que pode tirar grandes estrelas do esporte mundial dos Jogos Rio 2016.
Regulamentos…
Há tempos não escrevia sobre o tema. Com o fim dos Estaduais e a procissão do Brasileiro, não há muito que comentar. Mas aí vem a Copa do Brasil e… Quarta-feira à noite, enquanto acontecia no Equador a primeira partida da final da Libertadores, pelo terceiro ano consecutivo sem um time brasileiro, rolavam alguns dos chamados “jogos de volta” da terceira fase da Copa do Brasileiro – a última antes da entrada das equipes que jogavam a Libertadores e, por isso, só vão entrar na próxima etapa (incluam, além dos cinco que estavam na competição continental, o Internacional).
O Cruzeiro, que vai muito mal no Brasileiro, por exemplo, bateu o Vitória e segue em frente. Talvez, neste complexo momento que vive a Raposa, teria sido melhor cair, pensariam alguns torcedores – mas não dá para pensar em eliminação, não é mesmo? Não. Pelo menos é o que pensam os torcedores do Santa Cruz. Com vaga na Copa Sul-Americana, desde que não avançasse na Copa do Brasil, o time pernambucano afirmou que jogaria com uma “equipe alternativa”, ou seja, poupando titulares. Mesmo assim, deu um trabalhão para o Vasco. A eliminação terá sido bem recebida? Mesmo, com sinceridade? Duvido. E aí vão minhas críticas a estes regulamentos absurdos que fazem alguns torcedores vibrarem com a eliminação de seu time. Coisa que não aconteceu com a galera do Ceará, que viu sua equipe eliminada pelo Botafogo da Paraíba, que atingiu ma inédita vaga nas oitavas de final segurando o 0 a 0 contra o Vozão, fora de casa.