O golpe é velho. Mas a maneira como uma dupla de criminosos fazia para obter cartões de crédito das vítimas deixou até mesmo o delegado Jefferson Lisboa, da Coordenação de Repressão a Fraudes (Corf), impressionado. “Eles ligavam para o banco, pedindo uma segunda via, e determinavam que a entrega fosse feita na Agência dos Correios, em vez da residência dos verdadeiros correntistas”, afirma Lisboa. Os dois suspeitos foram presos ontem.
Segundo a polícia, um outro detalhe também serviu para distinguir os autores do golpe de outros criminosos do mesmo ramo: “Eles escolhiam as vítimas pelo valor do limite do cartão de crédito. Geralmente, acima de R$ 100 mil. Em uma compra vultuosa, levaram uma motocicleta de R$ 50 mil”, emenda Lisboa. A polícia ainda não sabe, no entanto, quanto o crime rendeu a eles nem quantas vítimas fizeram.
Presa no aniversário
A investigação teria constatado que, para retirar os cartões dos Correios, os suspeitos Antônio Rafael Carvalho de Mesquita, 31 anos; e Raquel Jorge Gonçalves, que completou 37 anos ontem; usavam documentos falsos para não serem rastreados caso o golpe fosse descoberto.
Na manhã de ontem, afirma o delegado, eles se preparavam para retirar uma nova remessa de dinheiro da conta de outras vítimas quando acabaram surpreendidos pelos policiais da Corf.
Apreensões
A prisão ocorreu no terminal de cargas dos Correios no Aeroporto Internacional de Brasília. Com eles, a polícia encontrou cartões de crédito, folhas de cheque e celulares.
Antecedentes criminais
Após verificar a vida pregressa de Antônio Rafael Carvalho de Mesquita e Raquel Jorge Gonçalves, a polícia descobriu que a dupla tem um longo histórico de passagens por vários crimes. Na ficha de Raquel constam envolvimentos com furto qualificado (três inquéritos), que renderam pena em regime domiciliar e duas liberdades provisórias.
Já Antônio responde por receptação de bens ou objetos furtados em quatro inquéritos e furto qualificado. A ele também foi concedida liberdade provisória. “Agora, ambos serão indiciados por uso de documentos falsos. A pena pode chegar a cinco anos de prisão”, afirma o delegado Jeferson Lisboa. “Mas essa prisão pode aumentar, caso a gente constate que os dois praticaram estelionato”, emenda.
A polícia garante que a investigação sobre a dupla vai continuar mesmo após a prisão. “Queremos saber como eles conseguiram as informações pessoais dos correntistas. Com certeza, alguém repassou a eles”, afirma o titular da Corf. “Não descartamos a participação de funcionários dos bancos”, completa.
Fraudes
O JBr. já mostrou que a cada 15 segundos há uma tentativa de fraude de cartão de crédito no Brasil. Isso coloca o País no quinto lugar do ranking mundial.
Nos últimos cinco anos, um em cada quatro titulares de cartões foi lesado. O principal é a clonagem.