Operação conjunta entre a Secretaria da Ordem Pública e Social (Seops) e a Delegacia de Meio Ambiente (Dema) flagrou dois homens em negociação de venda de terrenos em área de preservação permanente (APP) na região conhecida como Núcleo Rural 26 de Setembro, em Taguatinga. Os grileiros lucrariam até R$ 10 milhões. A ação ocorreu nesta quinta-feira (24) após a Seops receber uma denúncia anônima na Ouvidoria Geral do GDF, pelo telefone 156.
Um dos acusados atuava como corretor de imóveis, sem registro no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do DF (Creci-DF), e o outro se dizia dono do terreno. A área, no entanto, é considerada de vereda com minas d’água e fica inserida próxima a Flona (Floresta Nacional).
O tamanho total do local corresponde a 24 hectares, que seriam divididos ilegalmente em 265 lotes. Do total, 80% eram de 400 metros quadrados, mas as frações chegariam até mil metros quadrados. De acordo com os próprios grileiros, 11 já tinham sido vendidos. O valor dos lotes variavam entre R$ 38 e R$ 42 mil reais.
De acordo com os agentes, o terreno contava com postes de iluminação e duas ruas já tinham sido abertas. Pelo projeto, haveria uma rua principal chamada Avenida Boulevard, entre as ruas 6 e 5 do núcleo rural. O empreendimento seria dividido por quadras, com lotes para residência e comércio.
Conduzidos à Dema, o corretor de imóveis confessou o negócio. Ele foi preso em flagrante e vai responder pelos crimes de parcelamento irregular do solo e ambiental. Não foi arbitrada fiança. Ele permanece preso no Departamento de Polícia Especializada (DPE), à disposição da Justiça.
O suposto dono do terreno foi indiciado pelos crimes, mas em seguida acabou liberado porque não tinham provas suficientes para o flagrante. Mas o caso permanece em apuração.