Luís Augusto Gomes
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Em menos de 12 horas, duas mulheres foram assassinadas com requintes de crueldade no Distrito Federal. Os crimes ocorreram dentro da casa onde moravam. Uma das vítimas morreu na frente dos filhos depois de receber sete facadas do companheiro. O crime ocorreu no Riacho Fundo I. A outra tinha um profundo corte no pescoço, também produzido por faca. O caso ocorreu em Santa Maria.
Apesar de os dois crimes serem considerados bárbaros, o que mais chamou a atenção, pela brutalidade e frieza do suposto autor, foi o da massagista M.P.L., de 34 anos. O suspeito é o próprio companheiro da vítima, o açougueiro R.F.S., da mesma idade. Os filhos do casal, um bebê de sete meses e um adolescente de 13 anos, assistiram à morte da mãe. O mais velho ficou em estado de choque. O suspeito trabalhava em supermercado do Lago Sul e a suspeita é de que a faca seria usada no trabalho.
Após matar a companheira com quem vivia há 16 anos, ele se jogou pela janela do apartamento onde moravam, no 3º andar de um edifício, na CLN 7. Caiu em um toldo de uma loja no térreo para, em seguida, despencar sob o parabrisa de um Fiat Idea preto de um vizinho e danificar o vidro do carro. R.F.S. sofreu um corte da cabeça e escoriações no corpo.
Relação desgastada
Levado ao Hospital de Base, o suspeito recebeu atendimento médico, teve alta e prestou depoimento na 29ª DP (Riacho Fundo), onde foi autuado por homicídio qualificado, motivo fútil e sem dar chance de defesa para a vítima. Em depoimento, contou que o casal tinha um relacionamento desgastado por traição. A companheira o teria flagrado com outra mulher.
Na noite de domingo, ele não dormiu em casa. No dia seguinte, foi para o trabalho e voltou à tarde. Mas, antes de ir para casa, teria passado em um bar, onde tomou cerveja e cachaça. Quando a mulher chegou, por volta das 21h45, o encontrou deitado na cama com o filho pequeno. O casal discutiu. A massagista teria pego a faca. No entanto, ele tomou-lhe o objeto e a golpeou mortalmente.
O depoimento de R.F.S., no entanto, foi colocado em xeque pelo próprio filho do casal. O adolescente, que segundo parentes, ainda está em estado de choque e não consegue depor, teria dito que o pai pegou a faca e esfaqueou a mulher, enquanto o irmão dormia na cama. Sujo de sangue, o garoto tentou socorrer a mãe, mas não conseguiu evitar os golpes desferidos pelo pai.
Desesperado com a crueldade da cena, o garoto saiu correndo. Bateu na porta de dois vizinhos, pedindo ajuda e gritando: “Ajudem, ajudem, meu pai está matando minha mãe com uma faca”. Porém, os moradores ficaram com medo. Um deles trancou o garoto e telefonou para a polícia.
Em menos de cinco minutos policiais do 29º Batalhão da Polícia Militar (BPM) do Riacho Fundo chegaram ao endereço. M.P.L. ainda respirava. Os PMs chamaram o Corpo de Bombeiros, mas quando o socorro chegou apenas constatou a morte.
Tentativa de defesa
O corpo estava caído no quarto da quitinete, ao lado da cama, no chão. O bebê estava em cima, também sujo de sangue. Alguns dedos das mãos da vítima estavam parcialmente cortados, como se ela tivesse tentado a defesa. A faca atingiu também o peito e as costas da mulher.
Dezenas de curiosos se aglomeravam embaixo do prédio e tentavam subir até o 3º andar para ver a vítima. A PM teve dificuldade para contê-los e isolou o prédio até a chegada da perícia. A pouco metros do local, um primo de M.P.L. conversava com amigos. Viu a aglomeração, mas pensou que fosse confusão envolvendo delinquentes. ”Pensei que fossem bandidos e nem procurei saber. Só quanto cheguei em casa soube o que ocorreu”, disse.