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Brasília

Drogas e prostituição na quadra em que Isaque foi morto

Arquivo Geral

11/04/2013 8h36

Na QE 40 do Guará, onde ocorreu a morte de Isaque, o consumo de drogas se intensifica  especialmente após as 19h, quando drogados e prostitutas tomam conta da região. De acordo com o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Guará, tenente-coronel Antonio Carlos, a partir desse horário são deslocadas três viaturas, que fazem o patrulhamento de toda a região, que conta ainda com um posto policial 24 horas. 

 

“Resolvemos reforçar a segurança no local porque ali existe um número grande de roubos, furtos ao interior de carros e furto de veículos, além da grande quantidade de dependentes químicos. O local se trata de uma área comercial, onde se começou  a construir muitas quitinetes e  um grande número de bares. Tudo isso contribui para que os índices sejam elevados”, explica o comandante, que argumenta: “A polícia está fazendo a sua parte, sabendo que o local não é seguro”.

 

Em segundos

Segundo o tenente-coronel Antonio Carlos, após ser acionada, a viatura chegou ao local do crime em exatos 46 segundos. Os acusados foram presos poucos minutos depois, dirigindo um carro furtado  há pouco mais de uma semana,  poucas ruas dali.

 

O tenente-coronel afirma que a atitude de Isaque – de reclamar da situação com os usuários de drogas – não é uma atitude aconselhável, já que, sob efeito das substâncias, eles podem agir de forma agressiva. “Aconselhamos as pessoas que não tomem atitudes precipitadas e tentem tirar satisfação com usuários, ou em qualquer situação em que não se sabe  quem é a  pessoa ou se ela está armada. Como numa briga de trânsito, por exemplo. O certo é acionar a polícia e pedir que ela intervenha”, adverte.

 

A abordagem do grupamento que fez a prisão dos acusados foi devidamente cuidadosa, segundo Antonio Carlos. Tudo para evitar problemas como o ocorrido na semana passada, quando após ter o carro confundido com o de bandidos, um jovem foi morto por policiais na BR-070, no caminho para Águas Lindas (GO). “A PM está bem preparada. Tomamos muito cuidado durante a abordagem”, garante.

 

Emoção e indignação

Muito além da família da vítima do crime, os familiares dos acusados do homicídio também estão inconsoláveis com a situação. De acordo com a mãe de Moisés Maciel – homem que teria espancado  Isaque –, o filho enfrentava problemas com o álcool desde 2005, quando ele se separou da mulher. Desde então, não podia ver os dois filhos. Ela não confirma se Moisés era dependente de outras drogas.

 

“É uma dor muito grande saber que ele acabou com uma vida e destruiu a dele”, disse ela à reportagem da  TV Globo.

 

Muay Thai

Além dos próprios moradores da região, o crime indignou a comunidade Muay Thai, uma vez que um dos acusados,  Moisés, já deu aula de artes marciais. Ele era considerado por conhecidos uma pessoa tranquila, mas que vinha tendo problemas com drogas há alguns anos. 

 

“Ele  conseguiu se livrar das drogas por um tempo, voltando a frequentar a igreja e retornando à sua família”, conta o professor de Muay Thai Bruno Souza (foto), 32 anos, que treinou na mesma equipe em que Moisés deu aluna, em 2005.

 

“Nunca vi nenhuma atitude agressiva dele, mas depois que me afastei, o vi algumas vezes pelas ruas do Guará tomado pelas drogas”, diz Bruno.

 

Projeto sobre internação

Enquanto crimes envolvendo usuários de drogas se multiplicam pelo País, o debate em torno da internação compulsória ganha força. A  Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou ontem um projeto que prevê a possibilidade de internação compulsória ou tratamento especializado para usuários de drogas. Isso se dará mediante parecer de uma comissão composta por três profissionais de saúde com experiência em tratamento de dependentes químicos, pelo menos um deles médico.

 

Inicialmente, o projeto de autoria do senador cassado Demóstenes Torres (ex-DEM) estabelecia a prisão para os usuários de drogas. Quem fosse flagrado usando drogas poderia ficar preso de seis meses a um ano segundo a proposta. O juiz, porém, poderia substituir a pena privativa de liberdade por tratamento especializado.

 

A matéria vai passar pelas comissões de Direitos Humanos e Constituição e Justiça. Depois segue para o Plenário da Casa.

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