Um levantamento da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) revela que mais de 60% do ecstasy consumido em festas do DF não contém MDMA (metilenodioximetanfetamina), princípio ativo da droga fabricada na Europa. O ecstasy vendido por traficantes do Distrito Federal vem do Paraguai.
A falsificação foi comprovada quando a Cord gravou, com autorização do Judiciário, conversas de usuários. Eles reclamavam com traficantes da qualidade da droga. “O ecstasy do Paraguai é misturado com Clobenzorex, uma substância de efeito estimulante, mas capaz de causar dependência física ou psíquica”, afirma o delegado Luiz Alexandre Gratão.
Risco de morte
O usuário não sabe o que está tomando e pode morrer durante uma ingestão. O Clobenzorex contém anfetamina, utilizada como supressor de apetite, e está na lista das substâncias psicotrópicas proibidas no País.
O ecstasy paraguaio tem embalagem semelhante ao verdadeiro para ludibriar os consumidores. É usado até mesmo o símbolo. Na ânsia de ingerir a bala, como a droga é conhecida, o usuário só percebe a má qualidade com o efeito.
A droga paraguaia tem pelo menos dois grandes atrativos para o traficante. O primeiro é o lucro. Uma bala é vendida entre R$ 40 e R$ 60, sendo do Paraguai ou da Europa. Por não conter MDMA em sua composição, o usuário precisa consumir uma dose maior e gasta muito mais dinheiro. O outro é que a perícia da polícia precisa ser muito mais apurada para constatar o grau do alucinógeno, pois o MDMA é suprimido pelo Clobenzorex.
Segundo o delegado Gratão, a Cord acompanha as baladas onde o ecstasy tem seu nicho. A polícia já sabe, por exemplo, que a maioria das festas é divulgada na internet. Os promoters convidam os traficantes, e dessa forma colocam os eventos em evidência.