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Brasília

Dragão da inflação esvazia bolsos dos brasilienses

Arquivo Geral

18/04/2013 8h50

Instabilidade e medo. São as palavras que melhor definem o sentimento dos brasilienses quando o assunto é a inflação. Os índices elevados de aumentos de preços estão espalhando um clima de apreensão entre todos os segmentos da capital. Nos últimos dias, por exemplo, um dos assuntos mais comentados foi a alta expressiva do preço do tomate, que registrou aumento de 120% nos últimos 12 meses. 

 

Mas os indicadores oficiais comprovam que o problema vai muito além: de 2008 até fevereiro de 2013, as passagens aéreas aumentaram 178,34%, em média, enquanto o combustível subiu 15% no período, abaixo da inflação que foi de 33,81%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os brasilienses estão sentindo o reflexo desses aumentos no bolso e, para driblar eventuais prejuízos, alguns estão mudando hábitos antigos.

 

De acordo com o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, os produtos “in natura” foram os que mais pesaram no bolso dos brasilienses. “O que chamou atenção pela alta expressiva foram os produtos in natura, como o tomate. Os derivados do trigo, como farinha e biscoito, também ficaram mais caros”, explicou. Segundo Braz, os produtos semi-elaborados, como o feijão, também registraram aumento. “O feijão aumentou devido à safra ruim. O leite merece atenção especial, pois o preço começa a se elevar com a chegada do inverno.”

 

Desoneração

Em contrapartida, segundo André, os alimentos que o Governo Federal desonerou começam a apresentar queda no preço. “Em função da desoneração, os consumidores já podem contar com valores mais em conta para esses produtos. Então, temos, de um lado, alimentos com aumento de preço e, de outro, produtos com desaceleração”, fala. Para ele, o consumidor leva vantagens nesse cenário: “No fim das contas, o que vai sobrar é um aumento menor em abril.”

 

Segundo André, o aumento pode ser visto em alguns serviços. “Isso é uma resposta ao aumento da demanda e à baixa taxa de desemprego. Com isso, o custo de quem oferece os serviços também sobe”, destaca André. 

 

O economista ressalta que, ao contrário dos produtos alimentícios, os preços dos serviços aumentam de forma mais lenta. Os serviços que apresentaram acréscimo mais expressivo foram os dos setores de beleza, saúde, estacionamento e educação. “Esses setores estão com alta em torno de 8%, acima da inflação média, 6,59%”, diz.

 

Comerciante dá tomate como troco

Mas mesmo diante do caos provocado pelos aumentos, é possível minimizar os danos no bolso. “A orientação é pesquisar antes de finalizar a compra, seja de produtos ou serviços. Se for inevitável comprar um produto mais caro, o ideal é comprar menos. Essas atitudes podem contribuir para a redução do aumento dos preços”, explica o economista André Braz. 

 

Segundo ele, essas atitudes são essenciais para reduzir gastos excessivos. “O consumidor não pode se render ao aumento. É preciso negociar, pedir desconto e optar por preços mais baixos, sem abrir mão da qualidade, é claro”, orienta.

 

Ele considera que os consumidores estão mais conscientes: “Há uma preocupação do governo em garantir que os alunos tenham acesso à educação financeira desde cedo. Com isso, temos uma geração de consumidores mais conscientes e que repudiam a inflação”, diz.

 

Brincadeira séria 

Revoltado com a alta expressiva do tomate, o brasiliense Roberto Batata, 48 anos, proprietário do Hospital das Panelas, decidiu lançar uma crítica contra o aumento. “Para cada cliente que chega ao meu estabelecimento dou tomates como troco. Em média, cada um sai com uns cinco tomates na sacola. É claro que recebem o troco em dinheiro, mas também levam tomates”, conta.

 

Batata conta que a brincadeira é séria: “Quero mostrar que se nos unirmos, eles serão obrigados a rever esse preço. Se ninguém comprar, quero ver se não diminui.”

 

Sua cliente, a professora Emília Vasconcelos, 59 anos, aprovou a iniciativa. “É um absurdo esse aumento. Se a gente se calar, as coisas não mudam. Adorei ter recebido os tomates como troco, já é a feira da semana”, disse, brincando. 

 

O servidor Reinaldo Silva, 49, também apoia a crítica feita pelo comerciante. “Ações como essa podem contribuir para uma mudança. Eu reduzi o número de compras. Agora, só vou ao supermercado uma vez por semana”, relatou.

 

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