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Brasília

Doze capturas de animais silvestres por dia

Arquivo Geral

12/03/2014 7h43

Residente há quase dois anos da lagoa de uma Estação de Tratamento de Esgoto em Samambaia, o jacaré do papo amarelo capturado ontem morreu na tarde do mesmo dia. De acordo com o Ibama, o animal apresentava fratura no crânio e a morte foi constatada após procedimento de descontenção, no Centro de Triagem do instituto. Ele pesava 60 kg e tinha quase dois metros de comprimento.

De janeiro de 2013 a janeiro deste ano foram capturados mais de cinco mil animais silvestres em zonas residenciais ou comerciais do DF, o que representa uma média de 12 por dia.  “Esse tipo de ocorrência é comum por conta da proximidade da área urbana com parques e reservas”, afirma a professora de Ciências Biológicas da Universidade Católica, Cristiane Pujol. 

O jacaré-de-papo-amarelo, porém, teria sido introduzido de maneira artificial no local de captura. “Provavelmente alguém o criava ilegalmente e quando ele cresceu, o abandonou”, diz. 

Mordaças

O chefe da divisão técnica da superintendência do Ibama no DF, Gutemberg Machado Mascarenhas, disse que o réptil chegou ao órgão por volta das 15h30 com mordaças e amarras, o que é comum por se tratar de um animal com potencial para ferir humanos. A jaula onde o jacaré ficaria até ser reintegrado à natureza, o que estava programado para acontecer a partir das 9h de hoje, passava por preparação para receber o bicho.

“Quando a venda dos olhos do animal foi retirada, havia manchas de sangue. Ao tocá-lo, ele não apresentou nenhum sinal de respiração”, explicou Gutemberg. “Os veterinários da Universidade de Brasília (UnB), com quem temos parceria, nem tiveram tempo de analisar o animal. Agora o corpo será encaminhado para necropsia no Hospital Veterinário”, lamentou.

Surpresa

O coronel do Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMA), responsável pela captura, Cláudio Ribas, foi pego de surpresa com a notícia. “O animal estava, de manhã, esperto. Geralmente em caso de falecimento, o animal já está no estado de convalescença e é muito raro  acontecer morte por algo feito durante o resgate”, ponderou.

Proximidade com parques facilita

O jacaré-do-papo-amarelo vivia, segundo relatos de funcionários da Caesb, há quase dois anos no lago da Estação de Tratamento, em Samambaia. “Ele não oferecia  risco até então, aí foram deixando ele ficar. Mas de um mês pra cá reclamaram e pediram para que ele fosse retirado”, contou o coronel Ribas. Para chegar ao animal, os militares teriam usado iscas de tripa de galinha e depois laçado o jacaré. 

Segundo o Ibama e o BPMA, é o primeiro réptil de grande porte localizado em área urbana do DF em 2014, mas esse tipo de aparição não é raro. 

O chefe da divisão técnica da superintendência do Ibama, Gutemberg Mascarenhas, preferiu não especular sobre o que teria levado o réptil a óbito. “Temos realmente que esperar o resultado da necropsia”, disse. No entanto, caso seja constatada alguma falha na maneira como o animal foi conduzido ao Centro de Triagem, uma advertência formal deve ser emitida pelo Ibama. Uma recomendação para revisão de procedimentos também pode ser enviada.

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